Tara - A Mãe da Sabedoria Divina

02/10/2019

Tara aparece nas mitologias hindu, budista e tibetana. Ela, provavelmente, no começo era Devi, a Grande Deusa, ou Parvati (outro aspecto de Devi). Seu papel na mitologia hindu era o de bela consorte de Brihaspati, o professor ou guru dos deuses. Tara era cobiçada por Soma, o deus da Lua, e foi raptada por ele. Isso criou uma guerra entre demônios e deuses. Finalmente, Brahma convenceu Soma a devolver Tara a Brihaspati, mas, ao encontrá-la grávida, ele se recusou a tê-la de volta. Quando a criança nasceu, era tão bonita que ele a reivindicou para si próprio. Soma acreditava que era seu filho, também. Para resolver a disputa, Brahma deu Tara a Brihaspati e a criança tornou-se o pai de todas as dinastias lunares futuras, criando, assim, harmonia entre os deuses e os corpos celestiais.

No mito budista, Tara era originalmente uma deusa do mar, mas ela foi adotada no século VI e.c. como a expressão da "Mãe da Sabedoria Divina", e a primeira divindade feminina a ser assimilada pela crença budista. Tara tem muitos aspectos diferentes: a Tara Branca é associada com compaixão e com a força curativa do universo; a Tara Verde, com salvação e pura iluminação; a Tara Vermelha, com bondade e consciência perspicaz; a Tara Amarela, com prosperidade e riqueza; a Tara Azul era a transmutação da raiva. Tara também era conhecida como a Mãe dos Budas e, posteriormente, a mãe de todos os seres humanos na Terra. Tornou-se popular como objeto de culto, especialmente no Tibete, por volta do século VII e.c.


A princesa Yeshe Dawa (Sabedoria da Lua): Origem do mito

Conta-se que a princesa Yeshe Dawa, "Lua de Sabedoria", que recebeu ensinamentos de um Buda, acumulou méritos e sabedoria, tendo sido aconselhada a rezar por um renascimento masculino, pois, como homem, alcançaria a iluminação espiritual. Reconhecendo nisso a ignorância de que a dualidade é relativa, fez o compromisso de sempre renascer em forma feminina, como mulher. Por esse gesto de sabedoria e compaixão, Yeshe Dawa/Tara é considerada manifestação de Avalokiteshvara, (em sânscrito Avalokiteśvara), "Aquela que enxerga os clamores do mundo", ou "Senhora dos Mil Olhos", em tibetano Chenrezig, e também sua consorte.

Tara pode ser representada também como consorte de Amoghasiddhi, considerado a emanação do despertar plenamente realizado de Buddha.

Fontes: Templo de Apolo, Wikipedia