Sigurd - O herói que derrotou Fafnir

12/07/2018

Conta-se que Hjõrdis deu à luz um filho, e o menino foi criado pelo rei Hjalprek. O rei rejubilou-se ao ver seus olhos brilhantes; disse que ninguém seria jamais como ele, nem sequer de valor comparável. A criança foi aspergida com água e recebeu o nome de Sigurd. Todos diziam o mesmo sobre ele: em robustez e estatura não tinha par. Quando são enumerados todos os homens mais famosos, inclusive os reis, de que falam as antigas sagas, Sigurd aparece em primeiro lugar pela força e destreza, bravura e denodo, que ele possuía acima de qualquer outro habitante das regiões do norte.

Logo depois do nascimento de Sigurd, o rei Hjalprek arranjou o casamento da mãe, Hjõrdis, dando a mão dela ao próprio filho, o príncipe Alf.

Regin, fdho de Hreidmar, era o nome do tutor de Sigurd. Ensinou ao pupilo vários ofícios, o jogo de xadrez, a leitura das runas e também a falar diversas línguas, como era usual para um filho de rei, além de muitas outras coisas. Uma vez, quando estavam juntos, Regin perguntou a Sigurd se fazia ideia do tamanho do tesouro que seu pai tinha possuído, e se sabia quem o estava guardando. Sigurd respondeu que os reis, isto é Hjalprek e Alf, se encarregavam disso. Perguntou Regin:

- Confias tanto neles?

- É justo e razoável eles tomarem conta do tesouro de meu pai, até poder-me ser útil, porque sabem vigiá-lo melhor do que eu.

Noutra ocasião, Regin insistiu com Sigurd:

- É estranho que sigas sendo um menino dos estábulos do rei, andando por aí como um rejeitado qualquer.

- Não é assim! Aconselho-me com eles sobre qualquer questão, e tudo que quero me é concedido.

- Pois pede ao rei que te dê um cavalo!

- Ele me atenderá logo, bastando que eu expresse meu desejo.

Assim, Sigurd foi imediatamente ter com o rei. Hjalprek lhe disse:

- Que queres de nós?

- Quero um cavalo para meu uso.

- Escolhe tu mesmo, qualquer um que desejares, dentre os que nos pertencem.

No dia seguinte, Sigurd penetrou na floresta e encontrou um velho de longas barbas, com ares de estrangeiro naquela terra. Perguntou a Sigurd aonde ia. - Estou indo escolher um cavalo. Dá-me tua sugestão.

- Levemos todos os cavalos que reunires para aquele rio, que se chama Busiltjõrn.

Fizeram os cavalos entrar na água até um lugar bem fundo, e todos os animais, menos um, escaparam e fugiram para a margem. Foi esse que Sigurd tomou: era de cor cinza e ainda novo, bem crescido e formoso. Nunca fora montado. Observou o homem barbado:

- Este cavalo é da linhagem de Sleipnir, o corcel de Odin, e deve ser criado com cuidado, porque há de se tornar melhor do que qualquer outro.

Em seguida o homem desapareceu. Era o próprio Odin, que vagava pelo mundo como um desconhecido. Sigurd chamou o cavalo de Grani, e ele provou ser excelente.

Regin voltou a importunar Sigurd:

- Tens muito pouca riqueza. Aborrece-me ver-te correndo pelas redondezas como os meninos da aldeia. Acontece que sei de uma oportunidade magnífica de caça ao tesouro, que posso revelar-te. Na busca já ganharias grande honra, e maior ainda se puderes conquistá-lo.

Sigurd perguntou onde estava o tesouro e quem o guardava. Regin respondeu:

- Chama-se Fafnir o guardião do tesouro, e habita a uma curta distância daqui, em um lugar chamado Gnitalyng. Quando chegares lá, terás de admitir que nunca viste tantas riquezas em ouro em um só local. Nunca terás necessidade de procurar por mais, ainda que chegues a ser o mais velho e famoso dos reis.

- Moço como sou, já ouvi falar sobre a natureza desse dragão chamado Fafnir, e soube que ninguém ousa ir contra ele por causa de seu tamanho e de sua maldade.

- Não é verdade; seu tamanho é o de uma cobra do mato, com jeito de ser muito maior do que realmente é, como teus antepassados perceberiam logo. Ora! Apesar de teres em ti o sangue dos Võlsungs, não pareces ter o ânimo deles, porque eram considerados os primeiros em tudo.

- Talvez eu não tenha muito da bravura e da habilidade deles, mas isso não é razão para me menosprezares, pois mal saí da infância. Por que me provocas tanto?

- Há uma estória a contar, e vou contá-la a ti.

- Que eu a ouça, então!

E Regin pôs-se a narrar um trecho de sua própria vida.

***

O pai de Regin, Hreidmar, era um homem rico em seu tempo. Tinha três filhos: Fafnir, Otr e ele mesmo, Regin, que era o caçula. Regin sabia trabalhar o ferro, a prata e o ouro, e fabricava toda sorte de coisas que de algum modo poderiam ser úteis. Diferente dele em ocupação e índole, Otr era um grande caçador, e nisso superava os outros homens. Podia assumir a aparência de uma lontra durante o dia, quando permanecia na água pegando peixes com a boca. Levava ao pai o resultado da pesca e era de grande ajuda para ele. Constantemente tomava essa forma de lontra. Voltava tarde para casa e comia sozinho, piscando os olhos, porque não via bem no seco. Fafnir era de longe o maior e mais sombrio dos irmãos, e considerava que tudo era dele.

Havia um anão, de nome Andvari, que ficava sempre em uma cachoeira chamada Andvarafors. Convertia-se em um lúcio e alimentava-se dos outros peixes que nadavam por ali. Otr também freqüentava a cachoeira, e lá ficava a abocanhar os peixes, indo em seguida depositá-los na margem.

Uma vez, Odin, Loki e Hoenir passaram durante uma caminhada por Andvarafors. Sob sua aparência de lontra, Otr acabara de agarrar um salmão e o estava comendo, piscando, como de hábito, na margem do rio. Loki pegou uma pedra e atingiu Otr e o matou. Os Aesir se deram por felizes com a caçada e esfolaram a presa, sem notar que era mais do que uma simples lontra. Naquela tarde, foram até a morada de Hreidmar e mostraram-lhe o troféu. Então os da casa os prenderam e cobraram deles compensação pelo sangue derramado, exigindo pagamento de resgate. Eles deveriam encher de ouro amarelo o couro da lontra e cobri-lo por fora com ouro vermelho.

Loki ficou encarregado de sair em busca do ouro. Dirigiu-se primeiro a Ran, mulher do deus do mar, e tomou emprestada sua rede. Voltou então a Andvarafors e lançou a rede à frente do lúcio, que saltou para dentro dela.

Loki falou ao lúcio:

- Que peixe é esse que nada contra a corrente mas não consegue evitar ser pego? Estarás pronto a redimir tua cabeça da perdição de Hel, dando-me o ouro que brilha como chama nas águas?

- Andvari é como me chamam, Oinn é meu pai e nasci anão. Em muitas cachoeiras tenho-me aventurado, porque, infeliz de mim, as Nornas outrora decretaram que eu deveria vir muitas vezes, na forma de peixe, para nadar pelas águas.

Loki foi examinar o ouro que Andvari possuía. Depois de tê-lo contado e pesado, Loki notou que Andvari tentava esconder um anel, e o tomou dele também. O anão refugiou-se em uma pedra oca, e ficou murmurando que teria morte certa quem quer que possuísse o anel de ouro, sem falar dos perigos que o próprio ouro amaldiçoado lhe traria.

Os Aesir foram contar o ouro diante do rei. Encheram com ele a carcaça da lontra e então a puseram no chão. Depois foram também empilhando ouro por cima. até recobrir a lontra morta. Quando terminaram, Hreidmar foi examiná-la e viu um pêlo de barba ainda aparecendo, e mandou que o cobrissem também. Odir. tomou então o anel, que se chamava Andvaranaut, e com ele cobriu o pêlo. Loki disse a Hreidmar:

- Recebeste o ouro do resgate em pagamento por nossas cabeças, mas és tu quem pagas mais. A ti e a um de teus filhos nenhuma ventura é destinada: é morte para os dois.

***

E Regin concluiu a narrativa a Sigurd:

- Depois disso, Fafnir matou nosso pai. Assassinou-o. Deixando-se dominar pela maldade, foi embora afinal. levando todo o ouro. Tempos depois, transformou-se em um dragão muito perverso. Senta-se agora sobre o tesouro. Quanto a mim, fui mais tarde residir com teu rei Hjalprek e tornei-me seu ferreiro. Tal é o resumo da estóna de como perdi o que era a herança de meu pai e compensação pela morte de meu irmão. O ouro foi desde então chamado Resgate de Otr, e tem servido como exemplo.

- Tu perdeste muito, e teus parentes agiram falsamente. Agora usa tua habilidade para forjar-me uma espada melhor que qualquer outra, e realizarei um feito valoroso, se me sobrar ânimo. Trata de fazer tua parte, se queres mesmo que eu mate aquele poderoso dragão.

- Farei por certo, na confiança de que serás capaz de matar Fafnir com a espada.

Regin fez uma espada e a pôs na mão de Sigurd. Ele a empunhou, dizendo: - É só isso que vale teu ofício de ferreiro, Regin?

Desferiu um golpe sobre a bigorna e a espada se partiu; jogou fora os pedaços e mandou-o fabricar outra, melhor. Regin fez outra espada e a trouxe para Sigurd. Ele a examinou. Disse Regin:

- Esta deve agradar-te. Mas como é penoso ser teu ferreiro!

Sigurd pôs à prova a espada, mas partiu-se como a primeira, e ele exclamou: - Deves ser como teus parentes antes de ti - um imprestável!

Foi procurar a mãe, que o recebeu afetuosamente, e ficaram conversando e bebendo juntos. Sigurd perguntou:

- Será verdade o que eu ouvi por aí, que o rei Sigmund te deu a espada Gram em dois pedaços?

- É de fato verdade.

- Entrega-me os pedaços; preciso deles.

Ela disse que ele seguramente haveria de ganhar fama com a espada, e lhe trouxe os fragmentos. Então, Sigurd voltou a Regin e ordenou que fizesse uma espada usando os pedaços, tão boa quanto possível. Regin se zangou, mas foi para a forja com os pedaços. Resmungou que Sigurd se preocupava demais, pondo em dúvida o engenho dele, mas fabricou a espada. E quando a retirou da fornalha, pareceu a seus aprendizes ver chamas saltando dos fios da lâmina. Mandou Sigurd empunhar a espada, dizendo que não saberia fazer outra melhor se esta falhasse.

Sigurd desferiu uma cutilada sobre a bigorna, e ela se fendeu até a base sem a lâmina sofrer o menor dano, pelo que ele louvou altamente sua nova espada. Seguiu então até o rio, para experimentá-la mais uma vez, agora contra um fiapo de lã. Lançou na água o fiapo e o cortou com um simples toque. Com isso, Sigurd voltou contente para casa. Regin falou-lhe:

- Cabe-te agora cumprir a promessa de enfrentar Fafnir, pois forgei tua espada.

- Assim farei, porém não antes que meu pai seja vingado.

Sigurd foi visitar Gripir, seu tio materno, que tinha o dom de prever o futuro e sabia antecipar o fado de qualquer ser humano. Queria saber como sua vida transcorreria. Gripir, no entanto, deixou passar um longo tempo, relutando em responder. Finalmente, diante da insistência de Sigurd, contou-lhe tudo sobre seu futuro, exatamente como se passaria daí em diante. Quando Gripir acabou de contar o que desejava saber, Sigurd regressou. Pouco depois, ele e Regin se encontraram novamente. Este repetiu:

- Vai matar Fafnir, como prometeste!

- Vou fazer isso, mas há uma coisa a ser feita primeiro: vingar o rei Sigmund, meu pai e meus outros parentes que caíram naquela batalha.

Sigurd foi ter com o rei Hjalprek e com o príncipe Alf e lhes disse:

- Já faz bastante tempo que vivo aqui, e estou em dívida para convosco, por vossos favores e cuidados. Mas agora desejo sair à procura dos filhos de Hunding, para fazê-los saber que os Võlsungs não estão todos mortos. Precisarei de vossa ajuda.

O rei e o príncipe responderam que lhe dariam tudo que se lembrasse de pedir. Assim foi reunido um numeroso exército, e tudo toi preparado da melhor forma possível, incluindo embarcações e toda sorte de equipamentos, para a expedição ser mais esplêndida do que todas as anteriores. Sigurd comandou a nave de proa de dragão, que era vasta e imponente. As velas trabalhadas com capricho eram magníficas de se contemplar.

Velejaram, pois, com vento favorável. Mas, passados uns poucos dias, houve uma furiosa tormenta e o mar ficou avermelhado como se sangrasse. Sigurd ordenou que não recolhessem as velas, mas as içassem ainda mais alto. Enquanto navegavam além de um promontório rochoso, um homem chamou dali para os do navio, perguntando quem chefiava a expedição. Disseram-lhe que o comandante era Sigurd, filho de Sigmund, já o mais famoso dentre os jovens que então viviam. O homem replicou:

- Todos dizem isso sobre ele, e que nenhum filho de rei lhe chega aos pés. Gostaria que baixásseis as velas de um de vossos barcos, e o fizésseis atracar, para eu subir a bordo e seguir convosco.

- Qual é teu nome? - perguntou Sigurd.

- Hnikarera como me chamavam, ó jovem Võlsung, quando eu alegra­va o corvo Eluginn com a visão dos corpos que eu abatia em combate. Por ora, sou apenas o homem que encontraste nos rochedos; podes chamar-me de Feng ou de Fjõlnir, e haverei de seguir contigo.

De novo, era Odin sob disfarce, que às vezes atendia por um desses dois nomes. Fundearam à beira da costa e o fizeram embarcar na nave de Sigurd.

De pronto a tempestade amainou, e puderam prosseguir até atingir a terra em que reinavam os filhos de Hunding. Mal chegaram, Fjõlnir desapareceu.

Os homens de Sigurd logo avançaram a ferro e fogo; mataram homens e queimaram habitações, e devastaram tudo por onde passavam. Todos fugiram para junto do rei Lyngvi e lhe contaram que um exército desembarcara e estava infligindo grande destruição; nunca tinham visto coisa semelhante até então. Reclamavam que os filhos de Hunding não tinham sido previdentes quando diziam que os Võlsungs não precisavam mais ser temidos:

- Pois é Sigurd Sigmundson quem lidera o assalto!

O rei Lyngvi enviou emissários através do reino para convocar um exército, porque se recusava a pôr-se em fuga. Chamou a si todos os que se dispunham a vir servi-lo. Afinal foi ao encontro de Sigurd com um enorme contingente, levando com ele seus irmãos, e a mais dura das batalhas foi travada entre os dois exércitos. Muitos dardos e flechas cruzavam o ar, achas d'armas eram erguidas com vigor, escudos eram arrancados e couraças rasgadas, elmos fendidos, crânios abertos, e muitos guerreiros jaziam por terra. Finalmente, depois de a batalha ter-se travado por longo tempo, Sigurd penetrou até o estandarte de Lyngvi, segurando na mão a espada Gram. Retalhou homens e corcéis, carregando através das fileiras, com ambos os braços ensangüentados até os ombros. Por onde quer que passasse, os guerreiros fugiam. Nem elmo nem couraça podiam resistir-lhe. Ninguém vira antes tal combatente.

Entretanto, ainda grassava a batalha, com ferozes ataques e morticínio dos dois lados. A liderança de homens bravos não deixa nunca de se impor, e assim também ocorreu entre os defensores, instigados pelos filhos de Hunding - tantos guerreiros tombaram diante deles que ninguém saberá jamais quantos foram. No fim, vendo Sigurd na vanguarda dos seus, vieram atacá-lo. Sigurd endereçou um golpe contra o rei Lyngvi e fendeu-lhe o elmo e abriu-lhe a cabeça e o peito protegido pela couraça. Em seguida partiu Hjõrvard, irmão de Lyngvi, em duas metades, e seguiu matando todos os filhos de Hunding que ainda viviam, junto com a maior parte de seu bando.

Foi assim que Sigurd retornou vitorioso, com muita riqueza e fama conquistadas na aventura. Foram celebradas festas no reino em sua honra. Pouco tempo depois da volta, Regin veio falar-lhe:

- Agora devias estar disposto a cortar a cabeça de Fafnir, como prometeste, já que vingaste teu pai e teus demais familiares.

- Quanto a esse assunto, cumprirei o prometido, pois não o esqueci.

Sigurd e Regin galoparam pela mata até achar a trilha que procuravam, por onde Fafnir rastejava habitualmente quando ia em busca de água. Diziam que a rocha sobre a qual se deitava para beber dessa água tinha trinta braças de altura. Falou Sigurd:

- Regin! Disseste que esse dragão não era maior do que uma cobra do mato, mas seus rastros me parecem bem grandes...

- Cava um buraco e senta-te dentro. Quando o dragão se arrastar, espeta-o no coração e desse jeito o ferirás de morte. Assim obterás grande glória.

- Como farei para não me afogar no sangue que o dragão vai derramar?

- Não há conselheiro que possa orientar-te se tens medo de uma coisa e de outra! Por certo, falta-te a coragem de tua família!

No final das contas, enquanto Sigurd se embrenhava no mato, foi Regin que se afastou, muito amedrontado. Sigurd cavou um fosso, e, estando a executar a tarefa, um velho de longa barba se aproximou e perguntou-lhe o que fazia ali. Sigurd contou-lhe. Então o homem ponderou:

-- Isso não é uma boa ideia. Cava mais algumas valas para que o sangue possa escoar-se, enquanto, postado na primeira vala, tu irás cravar a espada no coração do dragão.

E então o velho - Odin, mais uma vez - desapareceu. Sigurd fez outras escavações, conforme fora instruído. Quando o dragão veio se arrastando na direção da água, houve um tal tremor de terra que todo o chão em volta foi sacudido. Exalava veneno à sua frente, mas Sigurd em nenhum momento demonstrou medo ou pavor a despeito de todo aquele alarido. Quando o dragão passou por sobre o fosso em que estava, enfiou-lhe a espada pouco abaixo do ombro esquerdo, e o ferro penetrou até o punho. Então Sigurd saltou fora do fosso e arrancou a espada, ficando com os braços ensangüentados até a altura dos ombros. E quando o enorme dragão sentiu o golpe, debateu-se furiosamente com a cabeça e a cauda, destruindo tudo a seu redor.

Foi então que Fafnir, tendo recebido sua ferida de morte, perguntou:

- Quem és tu? Quem é teu pai, de qual família provens, tu que foste tão atrevido que ousaste carregar armas contra mim?

- Minha família é desconhecida; os homens me chamam de Fera Nobre e não tenho pai nem mãe. E vim aqui sozinho.

- Se não tens nem pai nem mãe, por que milagre nasceste? Tu te negas a dizer teu nome no dia de minha morte, e sabes bem que estás mentindo!

- Sigurd é como me chamam, e o nome de meu pai é Sigmund.

- Quem te levou a fazer isto, e por que te deixaste convencer? Não ouviste dizer que todos têm medo de mim e de meu Capacete Aterrador? Mas tu, menino de olhos brilhantes, é verdade que tiveste um pai destemido!

- O que me levou a este feito foi meu próprio espírito resoluto, que me manteve firme até poder realizá-lo, e também esta mão forte e esta lâmina afiada, que agora conheces bem. E, se me chamas de menino, lembra que poucos homens são bravos quando maduros se foram fracos quando jovens.

- Sei que se tivesses crescido entre teus parentes terias aprendido a lutar de peito aberto, como um "berserker", possuído pela fúria de um lobo ou de um urso. Mas para mim é uma grande maravilha que alguém a viver em cativeiro, como é teu caso, tenha ousado lutar comigo, pois um prisioneiro de guerra é raramente bravo em combate.

- Será que me reprovas só por estar longe de meus familiares? Pois embora eu tenha permanecido como um prisioneiro de guerra, não me deixavam acorrentado, e acabas de descobrir como eu estava livre de fato.

- Tomas tudo que eu digo como palavras de ódio. Mas aquele tesouro dourado que possuo se tornará tua morte!

- Todo homem tem o desejo de guardar sua riqueza toda até o fim, ainda que deva morrer um dia.

- Está claro que nada farás do que eu te possa aconselhar. Mas fica sabendo: há de morrer afogado quem vai ao mar sem cuidado. Melhor esperar na praia pela calmaria.

- Dize-me, Fafnir, se és realmente tão sábio: Quem são as Nornas que escolhem os que vão morrer, e arrebatam os filhos dos braços das mães?

- Elas são muitas e de diferentes espécies: algumas são da raça de Aesir; algumas da raça dos elfos; algumas são filhas de Dvalin.

- Qual é o nome da ilha onde Surtr e os Aesir misturam seu sangue? - Chama-se Óskapt.

Fafnir interrompeu neste ponto as perguntas de Sigurd, e disse ao jovem: - Eis que meu irmão Regin conseguiu causar minha morte! Agrada-me que também causará a tua, pois vai acontecer exatamente como ele desejou. Vesti uma máscara de terror para assustar todas as gentes, enquanto jazia so­ bre a herança de meu irmão. E soprava veneno à minha frente, por onde quer que me arrastasse, de modo a ninguém ousar aproximar-se. Não temia arma alguma, nem jamais achei homem, por maior que fosse, frente ao qual eu não me achasse muito mais forte, e todos tinham pavor de mim.

- Essa máscara de terror, da qual tanto falas, garante por bem pouco tempo a vitória, pois quem enfrenta a muitos acabará descobrindo que ninguém pode ser sempre o mais bravo de todos.

- A conselho-te a pegar logo teu cavalo e ir embora o mais depressa que podes, porque muitas vezes quem sofre uma ferida de morte ainda pode vingar-se.

- Pouco vale teu conselho! Não vou mesmo segui-lo! Cavalgarei até teu covil e tomarei aquele grande tesouro áureo que teus parentes possuíram.

- Quando chegares, acharás tanto ouro que durará por todos os teus dias, e esse mesmo ouro se tornará tua morte e a morte de qualquer outro que o possua!

Sigurd ergueu-se e falou:

- Partirei para lá agora, ainda que fosse melhor passar adiante sem tocar nesse grande tesouro, e ainda que soubesse que, desistindo dele, não haveria nunca de morrer. Todo homem bravo quer ser dono de toda riqueza até seu último dia. Quanto a ti, Fafnir, fica aí deitado em teus estertores de morte até que Hel te receba!

Então Fafnir morreu.

Regin veio vindo, cautelosamente, para junto de Sigurd.

- Salve, meu senhor! Conquistaste uma grande vitória, pois mataste

Fafnir, e ninguém antes de ti foi ousado o bastante para arriscar-se a esperar sentado na trilha do dragão. Teu feito heróico será exaltado enquanto durar o mundo!

Mas, em seguida, Regin ficou parado olhando para o chão por longo tempo, e então irrompeu de súbito com grande raiva:

- Mataste meu irmão, e eu mesmo não estou livre de culpa pelo mal­feito!

Nesse momento Sigurd segurava a espada Gram e a estava secando na grama. Voltou-se para Regin:

- Correste para longe quando saí para realizar o feito e provar minha força contra o poder do dragão. Enquanto isso, permanecias deitado nas urzes, sem saber distinguir o céu da terra!

- Este dragão poderia ter jazido por muito tempo em seu covil se não tivesses usado essa espada, que forjei para ti com estas mãos. E nem tu nem nenhum outro teria realizado a façanha sozinho.

- Quando um homem vai combater, um coração valente é melhor do que uma espada afiada.

Mas Regin insistiu, mal-humorado:

- Mataste meu irmão, e eu não posso ser julgado inocente do delito! Então, sacando sua espada Regin, cortou o peito do dragão e lhe arrancou o coração. Bebeu do sangue de Fafnir e disse:

- Presta-me um favor que te custará pouco: leva este coração ao fogo até assá-lo. Em seguida, traze-o a mim para comer.

Sigurd saiu a assar o coração em um espeto. Quando o sangue começou a borbulhar, querendo apurar o ponto, passou o dedo e o levou à boca, e assim o sangue do coração do dragão veio molhar sua língua. Desde então pôde compreender a linguagem dos pássaros.

Ouviu alguns picanços nos arbustos próximos, chilreando entre eles:

- Lá está Sigurd sentado a assar o coração de Fafnir - disse o primeiro. - Lá está Regin deitado; ele vai enganar aquele que crê nele - disse o segundo.

- É melhor que Sigurd lhe corte a cabeça, e então será o único dono do grande tesouro - disse o terceiro.

- Ele seria ainda mais avisado se fizesse o que sugeres, e seguisse depois para o covil de Fafnir, para amealhar o grande tesouro que está lá, e logo cavalgasse para Hindarfell, onde Brynhild jaz adormecida. Então se encheria de grande sabedoria. Faria bem em seguir teu conselho de pensar apenas em suas próprias necessidades. Pois posso esperar ver um lobo quando enxergo orelhas de lobo - disse o quarto.

- Ele não será tão esperto quanto eu pensava se poupar Regin, de vez que já matou o irmão dele - disse o quinto.

- Seria uma boa ideia ele matar Regin e reinar sozir sobre o tesouro - disse o sexto.

Então Sigurd disse a si mesmo:

- Os maus fados não disporão que Regin me mate: em vez disso, ambos os irmãos viajarão pela mesma estradai

Sacou a espada Gram e decepou a cabeça de Regin. Então saltou sobre o cavalo e seguiu ao longo dos rastros de Fathiraté a morada dele. Achou-a aberta e notou que as portas e armações eram todas de ferro, como também as traves, profundamente cravadas na terra. Ali Sigurd encontrou um enorme amontoado de ouro, além da espada Hrotti. Pegou ainda o Capacete Aterrador e uma boa couraça e muitas outras coisas valiosas. Achou tanto ouro que precisaria de pelo menos dois ou três animais para carregá-lo. Atrelou tudo a seu cavalo, Grani, e o tomou pelas rédeas. O cavalo não se movia e não adiantou chicoteá-lo, mas Sigurd logo viu o que ele queria. Montou sobre o dorso de Grani, que relinchou feliz por tê-lo em cima; mal o tocou com as esporas, o corcel saiu galopando como se estivesse livre de carga.

Sigurd percorreu um longo caminho, seguindo para o sul na direção da terra dos francos, até vir a dar em Hindarfell. Avistou adiante uma grande luz no topo de um monte, como um fogo ardente, varando o céu com seus clarões. Quando subiu até lá, deu com uma barreira circular formada por escudos, tendo acima uma flâmula. Atravessando, viu um homem dormindo no centro, em vestes completas de combate. Ao retirar-lhe o capacete da cabeça, Sigurd descobriu que era uma mulher. Ela usava uma couraça tão apertada que parecia brotada da própria pele. Rompeu-a de cima a baixo, como se fosse um simples pano, também livrando-lhe os braços. Sigurd falou com ela, disse-lhe que por tempo demais ficara dormindo. Ela exclamou:

- Longamente dormi, e agora saúdo o dia que retorna! Salve ó sol, salve luz deste dia sorridente! Salve ó terra generosa! Concede-nos o dom das belas palavras, dá-nos corações prudentes e mãos capazes de curar, enquanto tivermos vida! Mas quem é esse, de tão grande poder que conseguiu romper minha couraça e me despertou do sono? Acaso é Sigurd, filho de Sigmund, que aqui veio, trazendo o capacete de Fafnir e tendo na mão a arma que o matou?

E Sigurd respondeu:

- E da estirpe dos Võlsungs quem realizou o feito! E, quanto a ti, escutei contar que és filha de um rei poderoso, e também ouvi sobre tua beleza e sabedoria, e aqui estou para comprovar uma e outra.

Brynhild lhe narrou como dois reis tinham um dia lutado entre si. Um se chamava Hjálgunnar; era idoso mas um grande batalhador, e Odin lhe prometera a vitória. O outro era Agnar, irmão de Audi.

- Eu abati Hjálgunnar na luta, e por isso Odin cravou em mim um espinho de sono como punição, e disse que eu haveria de casar-me. Mas eu jurei e fiz um voto: não me casaria com ninguém que pudesse conhecer o medo.

Sigurd retorquiu:

- Ensina-me a sabedoria em tudo o que é importante!

- Deverias pensar antes de pedir tal coisa. Mas te ensinarei sem reservas, se algo do que sei puder agradar-te, seja sobre runas ou sobre outros sinais que revelam a sorte dos homens. Mas primeiro bebamos juntos, e possam os deuses dar-nos um dia proveitoso; permitam eles vires a usar minha sabedoria para ganhar fama, e no futuro poderes lembrar-te do que falamos.

Brynhild encheu um copo e o entregou a Sigurd, declamando:

- Trago-te bebida, ó tu que vens coberto de couraça; é cerveja misturada com poder e alta fama, taça cheia até as bordas de cantos e encantos propícios, boas palavras mágicas e alegres runas.

- Runas de vitória aprenderás, se fores prudente, gravadas no punho da espada e nos dois lados da lâmina, o "T " de Tyr invocado duas vezes.

- Runas do mar terás, para que montes a salvo no barco, teu corcel marinho. Na proa serão entalhadas, bem como na folha do leme, e serão marcadas a fogo nos remos, para sobreviveres ao mar encrespado e à arrebentação.

- Runas da fala saberás, se queres que ninguém te pague com ódio o mal que lhe fizeres. Faze soar as palavras, trama com elas, compõe teu dito perante o Conselho, quando o povo se reunir para deliberar.

- Runas de cerveja conhecerás, se te convém, para que mulher alheia não traia a confiança que depositares nela. No chifre em que beberes as recortarás, e também nas costas de tua mão, e o "N " de Necessidade trarás marcado na unha. Dedicarás o copo, para te livrares do perigo no mar, e lançarás alho-poró nas águas. Só então saberei que não te darão a provar de veneno malsinado.

- Runas de parto receberás, se quiseres soltar criança de corpo de mulher. Na palma da mão serão riscadas até o pulso, e clamarás às deusas que ajudam a nascer.

- Runas de ramos medicinais hás de saber, se quiseres curar e aprender a examinar feridas. Na cortiça as cortarás e nos gravetos que crescem apontando para o leste.

- Runas de pensamento precisas usar, se desejas ser mais resoluto que os demais homens. Foi Hroptr quem primeiro as leu, gravou e sopesou.

- Sobre o escudo daquele que se apresenta diante do deus radiante, runas foram gravadas, e também na orelha de Arvark e no casco de Alsvin, os dois cavalos a puxar o carro do sol, e na roda que gira sob a carruagem de Rognir, nos dentes do corcel Sleipnir e nas correias dos trenós.

- E também em patas dianteiras de urso e na língua de Bragi, em garra de lobo e em bico de águia, em asas ensangüentadas e no final da ponte, no toque das mãos e na pegada dos pés.

- Em vidro e em ouro e em prata fina, em vinho e em cerveja e em cadeira de profetiza, na ponta da lança Gungnir de Odin e em peitos de giganta, em unha de Norna e bico de coruja.

- Todas estas runas fiquem registradas, entalhadas sobre tudo isso ou misturadas em hidromel sagrado e mandadas para lugares distantes. Estejam algumas com os elfos, fiquem algumas com os deuses Vanir e algumas na posse de alguns homens.

-- Estas são as runas-de-livros e as runas-de-ajuda e as runas-de-cerveja e as ousadas runas-de-força. Hão de manter em segurança quem sabe guardá-las puras e intocadas. Se as recolheres, trata de aproveitá-las, até que o poder dos deuses seja derrubado no crepúsculo.

Brynhild terminara. Calou-se por um momento, depois disse a Sigurd.

- Agora escolhe. Tudo se oferece à tua escolha, ó bravo que vens armado! Entre a fala e o silêncio decide sempre com cuidado. Pesa bem todas as palavras.

Sigurd replicou:

- Jamais hei de fugir, ainda que predigas que estou fadado à desgraça. Não nasci para ter medo! Teus conselhos me são caros e os guardarei todos enquanto viver.

E disse ainda:

- Mulher alguma será jamais achada neste mundo mais sábia que tu. Ensina-me mais!

- Foi-me permitido fazer tua vontade e dar-te bom conselho, conforme teus desejos e teu anseio por sabedoria. Faze o melhor por teus familiares e não guardes rancor contra eles, mas suporta-os com paciência, e com isso ganharás louvor duradouro. Protege-te da má sorte ao lidares com o amor, tanto de donzela quanto de mulher de outro homem, pois daí provêm muitas vezes conseqüências ruins. Não disputes com ignorantes nas assembléias do povo - eles costumam falar as piores coisas. Mas, para que não te chamem de covarde e isso passe como verdadeiro, trata de matar teu difamador em um outro dia, fazendo-o pagar pelas palavras rudes. Ao viajares por estrada em que habitam criaturas más, sigas atento; não te alojes junto ao caminho se a noite te surpreender, porque gente perversa muitas vezes espreita onde os viajantes passam. Não te deixes enganar por belas mulheres que encontres em festas, e venham tirar-te o sono e perturbar teu coração. Não as agrades com beijos ou outros sinais de carinho. Se ouvires palavras tolas proferidas por homens embriagados, não brigues com quem está entorpecido pelo vinho e perdeu o juízo. Tais coisas acabam por tornar-se para muitos um motivo de infortúnio ou mesmo de morte.

Brynhild prosseguiu:

- Enfrenta teu inimigo no campo de batalha, para não seres depois queimado por ele em tua casa. Não jures compromisso falso, porque uma vingança cruenta pode seguir-se à violação da paz prometida. Lida cuidadosamente com os mortos, quer tenham morrido de doença ou afogados no mar ou feridos por armas; prepara seus corpos apropriadamente. Não confies em homem cujo irmão ou outro parente próximo tiveres matado, por mais jovem que seja: Na criança mais bonita, às vezes, um lobo habita. E desconfia do conselho mal-intencionado de teus amigos.

E terminou dizendo:

- Na verdade, consigo antever bem pouco de tua vida futura! Todavia, presta atenção ao que te digo agora: não deves permitir que o ódio da família de tua mulher recaia sobre ti.

- Homem algum jamais se encontrará que seja mais sábio do que tu! E uma coisa eu juro: é a ti que eu terei, porque és como meu coração deseja! - falou Sigurd.

- Ainda que tivesse todos os homens à minha escolha, eu haveria de preferir-te! - falou Brynhild.

E assim se ligaram um ao outro, por juramento.

Notas

Sigurd é o principal herói da saga dos Volsungos, escrita na Islândia possivelmente entre 1270 e 1275. Na Canção dos Nibelungoos da Alemanha do século XIII, é chamado Siegfried, nome com que figura também na tetralogia operística O Anel dos Nibelungs de Richard Wagner (O Ouro do Reno, As Valquírias, Siegfried, Crepúsculo dos Deuses), composta entre 1852 e 1874. Para Wagner, o nome "Siegfried" significaria "o que se alegra na vitória".

Os Võlsungs seriam um clã de guerreiros, descendentes do deus Odin. Um dos deuses supremos dos povos nórdicos, Odin - ou Wotan, para os alemães - aparece em diversas tradições escandinavas e anglo-saxãs como progenitor de famílias reais. Intervém com freqüência na Saga dos Võlsungs, em momentos cruciais, disfarçado de modo a parecer um mortal comum. Numa das vezes, é acompanhado pelos deuses Hoenir e Loki. Este último, associado ao fogo, desempenha o papel que os folcloristas chamam de "trickster" (tratante); com seus ardis, obtém o ouro maldito, destinado a passar pelas mãos de diversos personagens, inclusive Sigurd, para a desgraça de cada um.

Antes do nascimento de Sigurd, seu futuro pai, Sigmund, encontra espetada em uma árvore a espada Gram (Balmung na Canção dos Nibelungos e Nothung em Wagner), presente deixado por Odin. Mas, durante um combate, a espada se parte contra a lança do deus. Este decidira que era chegada a hora de sua morte, mas permite que a espada seja depois refundida para uso do filho prestes a nascer. Os dois motivos - o da espada que só o herói pode retirar de onde está cravada e o da espada partida e rejuntada - aparecem também na literatura arturiana, o primeiro ligado à espada Excalibur do rei Artur e o segundo a uma espada mencionada em várias versões das narrativas sobre o Graal.

A primeira missão que Sigurd se impõe é vingar o pai e os demais familiares, mortos pelos guerreiros do clã de Hunding. É a conduta que se espera de qualquer membro de um clã nas sagas germânicas. Só depois de cumprir esse dever, Sigurd empreende sua primeira grande façanha: conquistar o ouro fabuloso, nesse momento guardado por um dragão. O grande tesouro, não menos do que a vitória sobre o dragão, faz dele o mais promissor dos heróis, admirado e invejado pelos homens e cobiçado como consorte pela mulheres. E o sangue do dragão lhe confere poderes especiais: sua pele se torna invulnerável, salvo em um único ponto, e ele passa a entender o que os pássaros dizem quando cantam.

Conforme o conselho de um pássaro, vai ao encontro de Brynhild, adormecida em sono mágico no topo de um monte. Na ópera, Wagner faz dela, com o nome Brünnhilde, a filha predileta de Wotan (Odin), a quem ela servia como a principal dentre as Valquírias - seres femininos que traziam os mortos em combate à morada dos deuses, o Walhall, onde passavam a gozar de uma existência prazerosa, dedicada a lutas e festas. Na Saga dos Võlsungs, Brynhild transmite sabedoria a Sigurd, e o marca com runas (caracteres de escrita) protetoras. Maravilham-se um com o outro e se ligam por juramento. Nosso relato sobre a vida de Sigurd, que segue de perto a saga nórdica, termina com essa cena alegre.

O final, em todas as versões, não seria nada feliz. O destino de Sigurd era morrer jovem, e o aviso de Brynhild já lhe antecipava de onde viria o perigo: "- Todavia, presta atenção ao que te digo agora: não deves permitir que o ódio da família de tua mulher recaia sobre ti." Sigurd atravessa uma barreira de fogo para ajudar o rei Gunnar a vencer a resistência de Brynhild, que então aceita o rei como esposo. Sigurd casa-se com a irmã do rei e acaba traído e morto por um parente dela.

Fontes: Templo de Apolo, Norse Mythology, An article at the Museum of Foteviken, Sweden