Serqet - A Deusa Escorpião

09/06/2018

Serqet é a deusa escorpião da mitologia egípcia. O seu nome é uma abreviação da expressão Serket-Hetyt que significa "a que aperta a garganta" ou, de acordo com outra interpretação, "a que facilita a respiração na garganta" - na primeira tradução remete-se ao fato de facilitar a respiração dos recém-nascidos e na segunda ao seu papel benéfico na cura de picadas de escorpiões (sendo um dos efeitos destas picadas a sensação de sufoco). É também conhecida como Selchis, Selkhet, Selkis, Selkhit, Selkit, Selqet, Serkhet, Serket-Hetyt, Serqet e Serquet.

Em sua representação mais comum Serqet caracterizada por uma mulher com um escorpião na cabeça, tendo o escorpião a cauda erguida em posição pronto para o ataque. Em representações menos comuns, era representada como um escorpião com cabeça de mulher ou mesmo como serpente. Na XXI Dinastia foi representada como uma mulher com cabeça de leoa, tendo a nuca protegida por um crocodilo.

No início não possuía as características benéficas que adquiriu mais tarde. Era a mãe (ou esposa) do deus serpente Nehebkau, cuja função era proteger a realeza e que vivia no mundo dos mortos. Devido a esta associação, Serqet era vista como guardiã de uma das quatro portas do submundo prendendo os mortos com correntes. Quando Nehebkau tornou-se um divindade benéfica, Serqet seguiu o mesmo caminho.

Junto com as deusas Ísis, Néftis e Neith guardava as vísceras do morto colocadas nos vasos canópicos. Serqet protegia o deus Kebehsenuef (um dos quatro Filhos de Hórus) que vigiava os intestinos. Também é atribuída a capacidade de cegar a serpente Apófis cujo objetivo era evitar a viagem diária de Rá na barca solar. Era apresentada também como filha deste deus. Recebia o epíteto de "Senhora da Bela Mansão", sendo esta mansão a estrutura onde se realizava o processo de embalsamento.

É com medo e apreensão que os homens cuidadosamente andam perto de serpentes e escorpiões. Não porque essas criaturas poderiam sobrepuja-los com sua ferocidade e força, mas porque os venenos que eles carregam são mais letais que qualquer lâmina ou flecha. Ainda assim, apesar de todo o pavor que eles causam, eles nunca atacam à toa ou movidos pela raiva. Venenos de qualquer tipo são controlados e administrados apenas naqueles que merecem tal punição. Serqet, a Deusa do Veneno, faz com que seja assim.

Apesar daqueles tocados por seu ferrão sofrerem uma dor devastadora e sufocante, Serqet não é uma deusa da retribuição mas da proteção. Os mortos são embalsamados e preservados para todo o sempre com os fluídos extraídos das crias de Serqet. Um dos quatro vasos canópicos que guardam os órgãos internos dos mumificados é guardado por ela. E apesar de seu golpe ser certamente fatal, Serqet pode curar venenos com a mesma facilidade com a qual os aplica.

Um campo de batalha é com certeza um lugar estranho para se encontrar essa deusa. Normalmente, Serqet é uma presença invisível. Ela observa. Ela espera. Ela aprende antes de atacar, para se certificar que aqueles que ela mata mereciam este fim. Provavelmente foi o orgulho dos Deuses que levou Serqet até este ponto. Agora todos encontrarão suas mortes com veneno em suas veias.





Fontes : Egito Antigo, Smitepedia