Quem é Lúcifer, Samael e Satanás?

15/06/2019

Samael é um dos personagens centrais do livro "Dama-da-Noite", mas a sua origem difere de acordo com cada tradição. Primeiramente, vejamos o significado do nome. Samael significa "veneno (sam) de Deus (El)". Analisemos sucintamente algumas tradições.

Segundo a Cabala e tradições judaicas, Samael é o Anjo da Morte, é descrito como "a ira de Deus", governa o quinto céu e é servido por milhões de outros seres celestiais. Segundo esta versão, Samael acolheu Lilith após ela abandonar Adão, casando-se com ela. Foi também ele, sob a forma de serpente, que seduziu Eva e gerou Caim. Foi ele quem lutou contra Jacó e impediu Abraão de sacrificar o seu filho Isaque. Nesta visão da entidade Samael, ele é aquele que faz uso do seu natural dom da palavra, agindo sempre com inteligência e racionalidade para negar a existência de Deus.

Nas tradições cristãs gnósticas, Samael é um dos nomes atribuídos ao demónio Demiurgo (referindo-se ao maligno deus criador do mundo material) e é descrito como uma serpente com rosto de leão. É filho de Eon Sophia contra quem se revolta.

Por último, segundo as tradições cristãs canónicas, Samael era um arcanjo, por sinal o mais próximo de Deus, tendo-lhe, portanto, sido atribuído o nome de Lúcifer (leia mais sobre ele) que significa "anjo de luz". Segundo esta versão, Samael quis roubar o trono de Deus para se equiparar a ele. Reuniu um terço dos seus companheiros celestiais e então deu-se uma batalha que culminou na expulsão de Lúcifer e seus aliados do Céu.

Analisadas as três versões, optou-se por criar uma nova origem para Samael em "Dama-da-noite". Foram utilizados pedacinhos de cada versão, nascendo a seguinte: Sophia, um Oráculo exilado da sua terra por ter ousado desafiar as leis da natureza gerando descendência através do uso da magia, deu à luz gémeos a quem chamou Samael e Mefistófeles. Deus reconheceu em Samael a sua imensa luz, convidando-o para, quando chegasse a altura certa, se juntar ao seu reino, transformando-se consequentemente num arcanjo, num dos mais próximos de si. Enquanto Samael vivia com a sua mãe e o seu irmão, Deus presenteou-o com alguns dons, como a imunidade a venenos. Chegada a altura, Samael foi acolhido por Deus e todos os anjos no Céu, ganhando o novo nome Lúcifer. Era o arcanjo mais respeitado e venerado, muito querido por Deus, um ser magnífico e brilhante. Possuidor de uma curiosidade e irreverência acima das dos demais anjos, Lúcifer acabou por ter conhecimento de muito com que não concordava e se recusava a servir. Mais tarde, confronta Deus, pois não compreende e não concorda com a sua maneira pouco justa de lidar com as suas criações e com a própria humanidade. Na ânsia de elegerem um Deus merecedor do trono, Lúcifer e seus aliados travam uma batalha que os arrasta para longe do Céu; os anjos de Deus lançam os seus antigos irmãos para o Inferno, um mundo envolto em caos e sem qualquer ordem. Recuperando o seu nome original, Samael decide estabelecer ordem no Inferno com a ajuda dos anjos que caíram consigo, convertendo inclusive o seu irmão Mefistófeles em demónio. Apesar de ter sido condenado a nunca mais pisar solo do Reino Celestial, Samael, devido à sua origem peculiar e ao facto de ter sido outrora arcanjo, continuou a ser capaz de fazer esporádicas visitas ao Jardim do Éden e ao palácio, visitas que eram, para ele, provocações e não fruto de saudade. Contrariamente às tradições judaicas, Samael não se uniu a Eva para gerar Caim. Em "Dama-da-Noite", Caim é o primogénito de Adão e Eva, como relatado na Bíblia.

Mas e então, quem é Satanás (leia mais sobre ele)? Satanás, ou Satã, é um termo de origem judaico-cristã aplicado em religiões monoteístas à encarnação do Mal. A sua origem também diverge muito, consoante a versão. Algumas interpretam Satanás e Lúcifer (ou Lúcifer, Samael e Satanás) como sendo a mesma entidade; outras associam "Satanás" a uma criação do próprio Deus, como representação do Mal que se opõe à sua luz e bondade. É exatamente esta a origem do Mal em "Dama-da-noite". Outrora fez parte de Deus, eram um só, como uma entidade dualística, mas Deus separou-se do Mal, aprisionando-o no Reino Celestial para que não contaminasse as suas criações. Possuindo um corpo, seja de que espécie for, formará uma única entidade cujo nome é Satanás. No momento da sua queda, Samael roubou o Mal, levando-o consigo para o Inferno. Confiou-o a um dos seus mais fiéis guerreiros na altura, Belzebu, que passou a ser o recetáculo do Mal, suficientemente poderoso e inabalável para não se deixar possuir. Após o aprisionamento de Samael, Belzebu subiu ao trono do Inferno, pois demónio algum lhe faria frente. Passados dois mil anos, Belzebu transmuda o Mal do seu corpo para Blaze, seu filho adotivo, para que o seu corpo de humano se vá convertendo em demónio. O objetivo de Belzebu é ocupar o corpo de Blaze, pois o seu está cada vez mais fraco. O portador do Mal é reconhecido pela marca nas suas costas, uma espécie de tatuagem fumegante com os números "666" serpenteando.


Fontes: Cinzas do Éden, Abiblia, https://cfcfigo.wordpress.com/2016/09/01/lucifer-samael-e-satanas-a-mesma-entidade/