Personalidades Negras Que Foram Muito Marcantes Na História

27/05/2019

A história é repleta de personalidades negras que foram importantes nas mais mais diversas áreas, apesar das adversidades. 

São pessoas pioneiras que fizeram história e muitas delas talvez você não conheça! Então venha com a gente: vamos viajar pelo biografia de 21 personalidades negras famosas.


As Personalidades Negras Revolucionárias Da História

Harriet Tubman (1822 - 1913)

A norte-americana nasceu no leste do EUA em condição de escravidão. Toda a sua família foi escravizada, e a jovem, consciente da sua condição, sonhava com a liberdade desde a adolescência, planejando formas de escapar de seus senhores.

Decidiu realizar o seu plano quando tinha 27 anos de idade e, contrariando os pais, fugiu da fazenda onde era mantida. Além de ter conseguido escapar, aos poucos foi planejando e realizando viagens de resgate para ajudar também a sua família, amigos e conhecidos. Mais de 70 famílias foram ajudadas por Harriet, que conhecia todos os macetes para escapar dos senhores.

Durante a Guerra Civil Americana (1861 - 1865), ofereceu-se para servir, foi espiã e comandou 150 soldados liderando as tropas do norte contra os soldados do sul. A operação conhecida como Ataque no Rio Combahee conseguiu a libertação de mais de 700 escravos dos Confederados. Tornou-se um símbolo americano de liberdade e coragem e seu rosto passará a estampar a nota de vinte dólares no ano de 2020.


Angela Davis (1944)

Angela Yvonne Davis nasceu no Alabama, EUA, e tornou-se uma dos principais mulheres negras na luta pelos direitos civis na década de 1960 - 1970. Cresceu em um dos estados do sul americano onde a segregação racial era mais dura, e organizações civis como a Ku Klux Klan tinha o hábito de perseguir, linchar e enforcar pessoas negras.

No fim da adolescência Angela conseguiu uma bolsa para estudar filosofia em Nova York, onde conheceu ideais socialistas e passou a militar em favor dos direitos civis, igualdade de gêneros, entre outras causas. Quando tinha por volta de 20 anos, associou-se ao partido dos Panteras Negras, chegou a ser uma das dez pessoas mais procuradas no país pelo FBI, mas depois foi inocentada de todas as acusações.

Desde então, Angela é símbolo de resistência negra, acadêmica respeitada nos estudos étnicos e de gênero. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.


Shonda Rhimes (1970)

A premiada escritora, roteirista e diretora americana Shonda Rhimes, nasceu no estado de Illinois, EUA, e tornou-se a afro-americana mais bem paga da TV americana.

Ela cresceu no subúrbio, em uma família com mais seis irmãos, a mãe era professora e o pai administrador em uma universidade. Formou-se em inglês, e trabalhou com publicidade por um tempo para pagar as contas, mas a sua paixão sempre foi a escrita. Começou a escrever para a TV em meados dos anos 1990 e foi alcançando o sucesso aos poucos.

Hoje Shonda é a autora de várias séries de sucesso, como Grey's Anatomy, Scandal e How to Get Away with Murder.


Kwame Nkrumah (1909 - 1972)

Se hoje consideramos líderes negros Martin Luther King Jr., Malcolm X, e outros, um dos responsáveis é este líder ganense, principal voz por trás da lutas de libertação africanas das colônias europeias.

Educado em uma escola católica durante a sua infância, na juventude partiu para o EUA formando-se em teologia e fazendo um mestrado em filosofia. Foi desenvolvendo as suas ideias de um continente africano livre e desenvolvido até que ajudou a fundar o Pan-Africanismo.

Aos 38 anos retornou ao Gana, seu país de origem, já como um político respeitado. Aos poucos, foi recrutando pessoas para sua causa: implantar um autogoverno no país, na época colônia do Reino Unido. Gana foi o primeiro país africano a tornar-se independente em 1957 e a luta e ideais de Nkrumah inspirou líderes africanos e negros em todo mundo pela conquista de liberdade.


Malcolm X (1925 - 1965)

Um dos principais nomes norte-americanos quando se fala em luta pelos direitos civis da década de 1960, Malcolm X nasceu Malcolm Little, no estado de Nebraska, EUA. Teve seu pai assassinado quando tinha apenas 6 anos de idade e viu sua mãe cair em desespero por ter de cuidar de 9 filhos sozinha.

Era bom aluno, mas com a família desestruturada, a mãe posteriormente internada acusada de ter problemas mentais, e o descrédito de professores a respeito de sua inteligência o levou à vida do crime, pelo qual foi preso aos 20 anos de idade, em 1945.

Na prisão, passou a se dedicar muito à leitura e foi convertido pelo irmão à religião islã. Assim que saiu da prisão, oito anos mais tarde, traçou uma carreira meteórica como líder religioso, por sua inteligência, retórica, oratória e capacidade de conversão de pessoas para a religião. Influenciou muito com as suas ideias o movimento dos Panteras Negras, na década de 1960.

Com o passar do tempo, Malcolm foi ficando cada vez mais famoso. Começou a se distanciar do clichê de que todos os brancos são "endemoniados" e não queria continuar mantendo a fachada de movimento puramente religioso e apolítico.

Em março de 1964, Malcolm X rompeu com o movimento e organizou a Muslim Mosque Inc., e mais tarde a "Afro-American Unity", organização não religiosa. Numa viagem a Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, em 1963, mudou o nome para Al Hajj Malik Al-Shabazz. Seu rompimento com a "Nação do Islã" e sua entrementes posição conciliatória em relação aos brancos lhe trouxeram um certo isolamento.

No dia 21 de fevereiro de 1965, aos 39 anos, ele foi morto com 13 tiros quando discursava no Harlem. Jamais foram encontradas provas, mas suspeitou-se do envolvimento da "Nação do Islã" no assassinato.

Suas ideias foram muito divulgadas na década de 1970 por movimentos como o Black Power e as Panteras Negras. Sua vida e obra também estão documentadas em vários filmes, sendo o mais famoso deles Malcolm X, dirigido por Spike Lee, de 1992.


Michael Jackson (1958 - 2009)

Considerado em várias partes do mundo como o maior artista pop de todos os tempos, Michael Joseph Jackson nasceu no estado da Indiana, EUA, em uma família com mais 9 irmãos. Sua carreira começou aos 5 anos de idade, assessorada pelo pai, que montou a banda The Jackson Five, em que Michael atuava com mais 4 irmãos. Logo se tornaram um sucesso mundial.

Aos onze anos já era a estrela principal da banda e vocalista, após embarcou em uma carreira solo como seu primeiro disco, Off the Wall, que vendeu cerca de sete milhões de cópias. Na época tinha 21 anos de idade. Frequentemente citado como o maior ícone negro de todos os tempos, sua genialidade artística abriu barreiras para outras pessoas negras se tornarem famosas.

É o artista mais premiado de história da música popular, e sua biografia repleta de polêmicas envolvendo sua mudança de aparência, proximidade com crianças, vida privada luxuosa e outros o tornaram um nome eterno da cultura popular. Michael morreu por overdose de remédios aos 51 anos de idades, menos de um mês antes de iniciar uma turnê mundial.


Jesse Owens (1913 - 1980)

James Cleveland Owen nasceu no estado segregado de Alabama, no EUA, e logo sua família, com mais nove irmãos, mudou-se para Ohio, mais ao centro-leste, buscando mais oportunidades.

Com 17 anos de idade já praticava atletismo na escola, destacando-se nas provas de corrida. Com 20 anos de idade quebrou recordes mundiais e se classificou para as Olimpíadas de 1936, que marcaria a sua vida para sempre.

Na época, Hitler estava no poder e usou os Jogos Olímpicos de Berlim como propaganda nazista, tentando provar a superioridade dos arianos sobre outras raças. Infelizmente para o Führer, no campo do atletismo, uma das provas mais valorizadas da competição, um grupo de americanos liderou o quadro de medalhas, com Jesse Owens merecendo destaque por levar quatro medalhas de ouro.

Sua performance é até hoje lembrada como a mais emblemática da história dos Jogos Olímpicos justamente por ter sido um negro o destaque da competição que deveria servir como propaganda racista para a Alemanha nazista.


Bob Marley (1945 - 1981)

O jamaicano Robert Nesta Marley é o grande responsável por tornar o reggae um ritmo mundialmente famoso e adorado. Filho de um militar britânico (na época em que a Jamaica era colônia do Reino Unido) e uma adolescente negra do norte do país, foi abandonado pelo pai quando era criança. Cresceu em uma favela em Kingston, maior cidade da Jamaica.

Sempre gostou de música e ainda adolescente formou sua banda com alguns amigos, incluindo o enteado do seu padrasto, do segundo casamento da mãe. Sua primeira música grava foi "Judge Not", composta pelo próprio, quando tinha 17 anos de idade.

Com 18 anos já era sucesso nacional, e no começo da década de 1979, quando Bob tinha por volta de 27 anos, sua forma única de cantar, as letras sobre os problemas sociais jamaicanos e o novo estilo, reggae, chamou a atenção do mundo e o transformou em um ícone negro, especialmente para adeptos do movimento rastafári.

Morreu jovem, aos 36 anos, em decorrência de um câncer de pele.


Muhammad Ali (1942 - 2016)

Nascido Cassius Marcellus Clay Jr., posteriormente nomeado Muhammad Ali, nasceu em Kentucky, Estados Unidos, e começou a treinar boxe aos 12 anos de idade.

Com 18, foi campeão olímpico em Roma e passou a traçar uma carreira meteórica no boxe, que o levou a ser considerado um dos maiores esportistas de todos os tempos. Das suas 62 lutas, venceu 57, 37 delas por nocaute.

Extremamente polêmico, e muito inteligente, foi preso depois de se recusar a servir o exército americano na Guerra do Vietnã e teve grande influência no movimento negro americano na década de 1960, depois que se converteu ao islamismo. Era amigo de Malcolm X e Martin Luther King Jr.

Considerado um dos primeiros esportistas a unir sua carreira profissional à política, denunciou o racismo americano durante toda a sua vida, tornando-se símbolo nacional, e sendo condecorado com diversos prêmios pela paz. Morreu aos 74 anos, vítima do agravamento de um mal de Parkinson descoberto quando ele ainda tinha 42 anos de idade.


Nelson Mandela (1918-2013)

Rolihiahia (Nelson) Dalibhunga Mandela foi o principal líder sul-africano, e o primeiro presidente negro do país, homenageado com um Prêmio Nobel da Paz de 1993, entre outros motivos, pela sua luta contra a discriminação racial.

Nasceu uma família tribal nobre, mas recusou-se a assumir a chefia da tribo, optando por estudar na capital, Joanesburgo, e dar seguimento em sua carreira política.

Em 1944, junto com Walter Sisulo e Oliver Tambo, fundou a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), que se tornou o principal instrumento de representação política dos negros. Na faculdade, começou a sua militância antiapartheid, que na época separava os brancos dos negros do país, colocando o segundo grupo em situação de inferioridade social, cívica, política.

Com 26 anos, ajudou a fundar a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), que se tornou o principal instrumento de representação política dos negros sul-africanos. Foi preso por 26 anos pelos seus ideais e quatro anos após ser libertado conseguiu eleger-se presidente do país.

Morreu aos 95 anos de causas respiratórias, como símbolo máximo da luta sul-africana contra a segregação racial.


Barack Obama (1961)

Barack Hussein Obama II nasceu em 4 de agosto de 1961 em Honolulu, Havaí. Sua mãe, Ann Dunham, era branca, de ascendência principalmente inglesa e nascida em Wichita, Kansas. Seu pai, Barack Obama, Sr., nasceu em Nyang'oma Kogelo, distrito de Siaya, Quênia, e era da etnia luo. Os pais de Obama conheceram-se em 1960 em uma aula de russo na Universidade do Havaí em Manoa, onde seu pai era um estudante bolsista. Casaram-se em 2 de fevereiro de 1961, em Wailuku, Havaí, onde o matrimônio entre pessoas de cores diferentes não era proibido. O casal separou-se quando, no final de 1961, Dunham mudou-se com seu filho recém-nascido para estudar na Universidade de Washington em Seattle por um ano. Durante este período, Obama Sr. completou sua graduação em economia no Havaí em junho de 1962, e depois concluiu um mestrado em economia pela Universidade Harvard. Seus pais divorciaram-se em março de 1964. Obama Sr. retornou ao Quênia, onde casou-se novamente, encontrando-se com o filho apenas mais uma vez antes de falecer em um acidente de automóvel em 1982.

Barack Hussein Obama II é um advogado e político norte-americano que serviu como o 44.º presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, sendo o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. Nascido em Honolulu, no Havaí, Obama é graduado em ciência política pela Universidade Columbia e em direito pela Universidade de Harvard, onde foi presidente da Harvard Law Review. Também atuou como organizador comunitário, advogado na defesa de direitos civis e ensinou direito constitucional na escola de direito da Universidade de Chicago entre 1992 a 2004. Obama representou por três mandatos o 13.º distrito no Senado de Illinois entre 1994 a 2004, tentando eleger-se, sem sucesso, ao Congresso dos Estados Unidos em 2000.

Durante seu primeiro mandato, Obama sancionou propostas de estimulo econômico e outras iniciativas em resposta à Grande Recessão e à crise financeira. Outras importantes iniciativas nacionais neste período incluem a aprovação e sanção da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, projeto este que passou a ser chamado de Obamacare, e revogou a política "Não pergunte, não conte". Na política externa, Obama ordenou o fim do envolvimento norte-americano na Guerra do Iraque, aumentou a quantidade de tropas no Afeganistão, assinou tratados de controle de armas com a Rússia, autorizou uma intervenção armada na Guerra Civil Líbia e ordenou uma operação militar no Paquistão que resultou na morte de Osama bin Laden.

Obama foi reeleito presidente em novembro de 2012, derrotando o republicano Mitt Romney, e foi empossado para um segundo mandato em 20 de janeiro de 2013. Durante seu segundo mandato, Obama promoveu políticas internas relacionadas com o controle de armas, em resposta ao tiroteio na escola primária de Sandy Hook e outros massacres, e defendeu a igualdade LGBT. No âmbito externo, a fim de conter a ameaça do grupo Estado Islâmico na região do Oriente Médio, ordenou a volta de tropas militares ao Iraque e autorizou ataques aéreos e navais na Síria. Além disso, continuou o plano de encerramento das operações de combate norte-americanas no Afeganistão, promoveu discussões que levaram ao Acordo de Paris de 2015 sobre mudanças climáticas globais, firmou um acordo nuclear com o Irã, e iniciou o processo de normalização das relações entre Cuba e EUA. Ao deixar a presidência, em janeiro de 2017, Obama tinha um índice de aprovação de 60% dentre o povo americano, com seu governo também sendo bem avaliado entre os historiadores e acadêmicos.


Michelle Obama (1964)

Michelle LaVaughn Robinson Obama (Chicago, 17 de janeiro de 1964) é uma advogada e escritora norte-americana. É a esposa do 44.º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a 44.ª primeira-dama dos Estados Unidos, sendo a primeira afro-descendente a ocupar o posto.

Uma das mulheres mais influentes da atualidade, Michelle Obama é praticamente uma exceção quando se trata de um personagem do mundo da política. Respeitada e querida pela população de seu país, os Estados Unidos, a antiga primeira-dama tornou-se um ícone de diplomacia durante sua estada na Casa Branca. Sua gestão ficou marcada pela inclusividade, programas contra violência infantil e incentivo a educação, saúde alimentar e muito bom humor e gentileza.

Michelle LaVaughn Robinson Obama, nascida em 1964, cresceu na periferia do sul de Chicago. Os pais, Fraser e Marian Robinson, faziam parte do comitê local do partido democrata. Michelle tem um irmão, Craig, 21 meses mais velho, e eles muitas vezes eram confundidos com gêmeos.

Michelle sentiu-se inspirada a seguir seu irmão em Princeton porque tinha mostrado a si mesma que isso era possível; ela graduou-se em 1983. Em Princeton, ela aprovou a metodologia pedagódica da língua francesa, porque sentiu que isso seria mais conversacional. Como parte dos requerimentos para a graduação, escreveu uma tese intitulada: "Princeton-Educated Blacks and the Black Community." ("Negros Educados em Princeton e a Comunidade Negra", em português). "Lembro-me estando chocada", ela afirma "por estudantes universitários que dirigem BMWs. Eu nunca conheci pais que dirigem BMWs." Ela obteve seu Juris Doctor (J.D.), grau da Harvard Law School, em 1988. Enquanto esteve em Harvard, ela participou de manifestações políticas defendendo a contratação de professores que são membros de minorias. Ela é a terceira primeira-dama norte-americana com uma pós-graduação, seguindo Hillary Rodham Clinton e Laura Bush. Em julho de 2008, Obama aceitou o convite para se tornar um membro honorário do clube de moças negro de 100 anos Alpha Kappa Alpha, no qual não tinha estudantes universitários ativos de Princeton quando ela ingressou.

Muito mais do que a esposa de Barack Obama, ela o conheceu quando eles estavam dentre os muito poucos afro-americanos na sua firma de advocacia, Sidley Austin, (ela, algumas vezes, disse que se encontravam em apenas dois departamentos, embora outros já tenham apontado, há outros diferentes departamentos) e a ela foi atribuído o cargo de ser a mentora dele, enquanto ele fora um advogado associado. Sua relação começou com um jantar de negócios e depois uma reunião de organização da comunidade onde ele pela primeira vez a impressionou. O primeiro encontro do casal foi para assistir o filme Do the Right Thing, de Spike Lee. Eles se casaram em outubro de 1992 e tiveram duas filhas, Malia Ann (nascida em 1998) e Natasha (conhecida como Sasha) (nascida em 2001). Após sua eleição para o Senado Estadunidense, a família do Obama continuou a viver no South Side de Chicago, optando por permanecer ali em vez de mudar-se para Washington, D.C.. Ao longo da campanha presidencial norte-americana de 2008 de seu marido, ela fez um "compromisso de estar distante durante um dia da semana de campanha, apenas dois dias na semana e estar em casa ao final do segundo dia" para suas duas filhas. Ela é prima de primeiro grau de parentesco de Rabbi Capers C. Funnye Jr., um dos dos mais proeminentes rabinos negros do país. Sua vida acadêmica foi marcada por projetos de engajamento social e pró-inclusão de minorias.

Depois da faculdade de direito, Michelle trabalhou como associada na filial de Chicago da firma Sidley Austin, na área de marketing e propriedade intelectual. Foi lá, em 1989, que conheceu seu futuro marido, Barack Obama, estagiário de verão a quem ela foi designada como conselheira.

A princípio, ela não quis se envolver romanticamente com Barack, para não colocar em risco a relação profissional. Uma curiosidade romântica sobre o casal: uma placa do casal foi instalada em 2012 no mesmo local onde trocaram o primeiro beijo, em um Shopping Center. Eles se casaram em 2012, e tiveram suas filhas, Malia, de 20 anos, e Sasha, de 17 anos.


Personalidades Brasileiras De Destaque

Luiz Gama (1830 - 1882)

Nascido na capital da Bahia, Salvador, Luiz Gonzaga Pinto da Gama é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil, pelo serviços prestados aos negros escravizados na época em que viveu.

Nasceu livre, filho de pai branco, de família portuguesa, e mãe negra, mas foi escravizado aos 10 anos de idade e assim permaneceu até o final da adolescência, quando advogou pela sua própria liberdade, conseguindo-a.

É considerado um dos raros intelectuais negros do Brasil do século XIX, quando a escravidão ainda era legal e o país vivia sob uma monarquia. Mesmo sem formação, exercia advocacia, principalmente para libertação de pessoas negras escravizadas ou acusadas de algum crime. Também foi jornalista, e escritor, publicando "Primeiras Trovas Burlescas" (1859 e 1861), embora tenha aprendido a ler apenas no final da adolescência.

Morreu em decorrência de diabetes e seu enterro em São Paulo foi acompanhado por milhares de pessoas que o seguiram em cortejo fúnebre por quilômetros fazendo do acontecendo um dos eventos mais marcantes da história da cidade, segundo historiadores.


Tia Ciata (1854 - 1924)

Se hoje o mundo todo conhece o samba brasileiro, muito se deve à Hilária Batista de Almeida, nascida em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, migrando para o Rio de Janeiro quando tinha 22 anos de idade.

Tia Ciata, como ficou conhecida, era mãe de santo (Candomblé), quituteira, empreendedora, partideira e, posteriormente, Matriarca do Samba, por ter cedido a sua casa, no centro do Rio de Janeiro, para as rodas de samba, até então um ritmo proibido no país, que deram espaço ao surgimento de grandes nomes da música brasileira, como Pixinguinha.

Ganhava a vida vendendo quitutes, fazendo consultas em sua religião e organizando festas que tornaram-se tradicionalmente famosas na cidade. O primeiro samba de sucesso gravado no Brasil, em 1917, chamava-se "Pelo Telefone", e foi gravado na casa de Tia Ciata.


Dandara de Palmares ( ? - 1694)

Conhecida especialmente por ter sido a companheira de Zumbi dos Palmares, grande homenageado no Dia da Consciência Negra no Brasil, Dandara também fez história sendo um dos nomes principais da resistência quilombola do país do século XVII.

Não se sabe a sua data nem local de nascimento, mas acredita-se que ela tenha nascido no Brasil e desde muito nova vivido no Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Teve três filhos com Zumbi e lutou em muitas guerras de resistência contra os colonizadores até que foi capturada e morta por eles, junto a outros quilombolas, em fevereiro de 1694.


Maria Firmina dos Reis (1825 - 1917)

Considerada a primeira romancista brasileira, Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, no Maranhão, filha de pai negro e mãe branca. Devido à condição do pai, em plena época da escravatura, a menina foi registrada com nome de um pai ilegítimo e cresceu na casa de uma tia, da família da mãe, o que lhe permitiu ter alguma educação.

Com 22 anos de idade, foi aprovada em um concurso para ser professora na cidade. E então, já assumia uma posição antiescravagista. Seu primeiro livro, Úrsula, foi lançado doze anos depois, quando Maria já gozava de algum prestígio como professora. Foi o primeiro romance publicado por uma mulher no país, e também o primeiro antiescravagista.

Chegou a publicar mais contos e um livro de poemas e fundar uma escola mista e gratuita para atender aos pobres da região (escândalo na época), mas com o tempo foi esquecida, e depois recuperada pela pesquisa de um historiador paraibano na década de 1960.


Sueli Carneiro (1950)

Uma das mulheres negras mais importantes da atualidade no Brasil, Sueli Carneiro nasceu em São Paulo, é doutora em filosofia pela Universidade de São Paulo e criadora do Geledés Instituto da Mulher Negra, um dos principais órgãos independentes de consciência racial no Brasil.

Autora de dois livros e artigos sobre raça, gênero e direitos humanos publicados no Brasil e no mundo, foi uma das pessoas responsáveis pela defesa constitucional da implantação de cotas raciais nas universidades brasileiras. Atualmente é referência do Movimento Negro nacional e nome incontestável no assunto nos campos políticos e acadêmicos.


Zumbi de Palmares (1655 - 1695)

Zumbi nasceu livre no Quilombo dos Palmares, hoje União dos Palmares, no estado do Alagoas, uma região, em plena época de escravidão, chegou a abrigar quase 30 mil negros e negras que resistiam à dominação dos senhores portugueses.

Foi no quilombo que aprendeu técnicas de defesa e o espírito de liderança que teve de usar mais tarde, nas batalhas de resistência que enfrentou contra capitães que queriam destruir o quilombo para recuperar mão de obra escrava. Defendeu o quilombo por 18 anos, até que depois de sucessivas batalhas foi traído por um de seus companheiros, capturado, decapitado e teve sua cabeça exposta em praça pública, uma estratégia do governador de Pernambuco para desmentir a crença de que era imortal.

Em razão da sua morte em 20 de novembro, anualmente neste dia é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra.


Machado de Assis (1839 - 1908)

O nome brasileiro mais reconhecido no exterior, traduzido para inúmeras línguas, estudado e aclamado por mais de um século. Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em uma família pobre do Rio de Janeiro, tendo aprendido a escrever de forma autodidata.

Trabalhou como aprendiz de tipógrafo e teve seu primeiro conto publicado aos 16 anos de idade. Frequentando livrarias, tornou-se amigo de outros escritores e nunca mais parou de escrever, tornando-se o nome mais conhecido da literatura brasileira no mundo inteiro.

Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras e sua obra "Dom Casmurro" (1899) é uma das mais traduzidas do mundo. Em várias de suas obras dedicou-se às críticas sociais, como a burguesia e a escravidão.


Grande Otelo (1915-1993)

Uma das maiores estrelas do cinema que o Brasil já teve Sebastião Bernardes de Souza Prata nasceu em Minas Gerais e começou a sua vida artística no circo.

Adolescente já atuava na mesma companhia em que Pixinguinha era maestro. Era um assíduo frequentador dos bairros da Lapa, fez trabalhos nas principais rádios e emissoras nacionais. Sua parceria com Oscarito tornou a dupla a mais famosa e bem sucedida do cinema brasileiro.

Na época em que era a proibida a entrada de negros pela porta da frente do Cassino da Urca, foi o primeiro a fazê-lo, na companhia da atriz e dançarina norte-americana Josephine Baker.

Órfão de pai, mãe alcoólatra, uma das esposas suicidas, tornou-se um dos nomes eternos do audiovisual brasileiro.


Pixinguinha (1897-1973)

O carioca Alfredo da Rocha Vianna Filho é um dos pais do choro brasileiro, ritmo que ajudou a popularizar com a sua maestria para tocar flauta. Ele também dominava o saxofone, cavaquinho e outros instrumentos.

Seu pai era flautista e com apenas treze anos o menino já compunha músicas. Com quinze, tornou-se músico pela orquestra do Teatro Rio Branco. Com o tempo o garoto fez partes de importantes grupos musicais da década de vinte, como o Caxangá, saiu em turnês internacionais e ganhou fama como um dos maiores músicos que o Brasil já teve, em uma época em que músicos negros são subvalorizados no Brasil.

"Carinhoso" seu arranjo mais conhecido, com composição de Orlando Silva, é considerada uma das obras mais importantes da música popular brasileira.


Abdias Nascimento (1914 - 2011)

O poeta, ator, escritor, professor e ativista Abdias do Nascimento nasceu no interior de São Paulo e foi um dos principais nomes precursores das políticas afirmativas para negros e história da África no Brasil.

Engajado com o Movimento Negro Brasileiro em seu início, na década de 1940. Foi ele quem criou o Teatro Experimental do Negro, importante companhia artística nacional. Exilou-se no EUA durante a ditadura, lecionando em universidades americanas, foi deputado federal e senador.

Entre os mais de 20 livros escritos, destaca-se "O Genocídio do Negro Brasileiro - Processo de um racismo mascarado", de 1978.


Milton Santos (1926 - 2001)

O geógrafo Milton Santos é o nome brasileiro de maior relevância na matéria, internacionalmente. Nascido na Bahia, filho de pais professores, com 13 anos já dava aulas de matemática no ginásio onde estudava.

Formou-se em direito, mas a sua paixão sempre foi a geografia, e foi assim que em 1958 concluiu um doutorado em Geografia na Universidade de Estrasburgo, na França. Conduziu paralelamente às suas atividades acadêmicas atividades públicas, como jornalista principalmente, e também na política, defendendo ideais de esquerda.

Foi preso pela ditadura militar, mas conseguiu exílio na França. Ficou 13 anos fora do Brasil, lecionando em universidades europeias, americanas e africanas, até retornar consagrado ao país em 1977. Tem mais de 20 títulos de doutor honoris causa no Brasil e o no mundo e é o único geógrafo latino-americano a ser homenageado com o prêmio Vautrin Lud, em 1994, considerado o Nobel da Geografia.


Tereza de Benguela (?-1770) - rainha do Quilombo de Quariterê

Foi a rainha do Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso. Após a morte do companheiro, liderou a luta do quilombo contra os soldados portugueses. Sua grande inovação foi a instituição de um Parlamento no quilombo onde se discutiam as normas que regulavam o funcionamento do lugar.

Após ter tido seu exército derrotado, Tereza de Benguela foi morta e decapitada com a cabeça exposta em praça pública. Desta maneira, o governo pretendia o castigo por desafiá-lo servisse de exemplo para todos.

Dia 25 de julho, data de sua morte, é celebrado o Dia da Mulher Negra no Brasil.


André Rebouças (1838-1898)

Formado em engenharia civil, André Rebouças serviu na Guerra do Paraguai e projetou a estrada de ferro que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá, no Paraná. Abolicionista, ajudou a fundar a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, com Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Monarquista, teve de se exilar na Europa após a Proclamação da República, em 1889. Junto com o irmão Antônio, também engenheiro, batiza a Avenida Rebouças, que atravessa a Zona Oeste da capital. Morreu em 1898, aos 60 anos.

André Pinto Rebouças nasceu em plena Sabinada, a insurreição baiana contra o governo regencial. Seu pai era Antônio Pereira Rebouças, um mulato autodidata que obteve o direito de advogar, representou a Bahia na Câmara dos Deputados em diversas legislaturas e foi conselheiro do Império. Sua mãe, Carolina Pinto Rebouças, era filha do comerciante André Pinto da Silveira.

André tinha sete irmãos, sendo mais ligado a Antônio, que se tornou seu grande companheiro na maioria dos seus projetos profissionais. Em fevereiro de 1846, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. André e Antônio foram alfabetizados por seu pai e frequentaram alguns colégios até ingressarem na Escola Militar.

Em 1857 foram promovidos ao cargo de segundo tenente do Corpo de Engenheiros e complementaram seus estudos na Escola de Aplicação da Praia Vermelha. André bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemáticas em 1859 e obteve o grau de engenheiro militar no ano seguinte.

Os dois irmãos foram pela primeira vez à Europa, em viagem de estudos, entre fevereiro de 1861 e novembro de 1862. Na volta, partiram como comissionados do Estado brasileiro para trabalhar na vistoria e no aperfeiçoamento de portos e fortificações litorâneas.

Na guerra do Paraguai, André serviu como engenheiro militar, nela permanecendo entre maio de 1865 e julho de 1886, quando retornou ao Rio de Janeiro, por motivos de saúde. Passou então a desenvolver projetos com seu irmão Antônio, na tentativa de estruturação de companhias privadas com a captação de recursos junto a particulares e a bancos, visando a modernização do país.

As obras que André realizou como engenheiro estavam ligadas ao abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro, às docas dom Pedro 2o e à construção das docas da Alfândega (onde permaneceu de 1866 até a sua demissão, em 1871).

Paralelamente, André dava aulas, procurava apoio financeiro para Carlos Gomes retornar à Itália, debatia com ministros e políticos por diversas leis. Foi secretário do Instituto Politécnico e redator geral de sua revista. Atuou como membro do Clube de Engenharia e muitas vezes foi designado para receber estrangeiros, por falar inglês e francês.

Participou da Associação Brasileira de Aclimação e defendeu a adaptação de produtos agrícolas não produzidos no Brasil, e o melhor preparo e acondicionamento dos produzidos aqui, para concorrerem no mercado internacional. Foi responsável ainda pela seção de Máquinas e Aparelhos na Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.

Na década de 1880, André Rebouças se engajou na campanha abolicionista e ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e outros. Participou também da Confederação Abolicionista e redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora. Participou da Sociedade Central de Imigração, juntamente com o Visconde de Taunay.

Entre setembro de 1882 e fevereiro de 1883, Rebouças permaneceu na Europa, retornando ao Brasil para dar continuidade à campanha. Mas o movimento militar de 15 de novembro de 1889 levou André Rebouças a embarcar, juntamente com a família imperial, com destino à Europa.

Por dois anos, ele permaneceu exilado em Lisboa, como correspondente do "The Times" de Londres. Transferiu-se, então, para Cannes, na França, até a morte de D. Pedro 2o.

Em 1892, com problemas financeiros, aceitou um emprego em Luanda, Angola, onde permaneceu por 15 meses. Fixando-se em Funchal, na Ilha da Madeira, a partir de meados de 1893, seu abatimento intensificou-se. Suicidou-se no dia 9 de maio de 1898, e seu corpo foi resgatado na base de um penhasco, próximo ao hotel em que vivia.


Carolina Maria de Jesus (1914-1977)

Carolina Maria de Jesus nasceu no interior de Minas Gerais, em Sacramento, no dia 14 de março de 1914. Vinda de uma família extremamente pobre, tinha mais sete irmãos e teve que trabalhar cedo para ajudar no sustento da casa. Por isso, estudou apenas até o segundo ano primário.
Na década de 30, mudou-se para São Paulo e foi morar na favela do Canindé. Ganhava seu sustento e de seus três filhos catando papel. No meio do lixo, Carolina encontrou uma caderneta, onde passou a registrar seu cotidiano de favelada, em forma de diário.

Segundo Magnabosco, "mesmo diante todas as mazelas, perdas e discriminações que sofreu em Sacramento por ser negra e pobre, Carolina revela, através de sua escritura, a importância do testemunho como meio de denúncia sócio-política de uma cultura hegemônica que exclui aqueles que lhe são alteridade".

Descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, repórter da Folha da Noite, Carolina teve suas anotações publicadas em 1960 no livro Quarto de Despejo, que vendeu mais de cem mil exemplares. A obra foi prefaciada pelo escritor italiano Alberto Moravia e traduzida para 29 idiomas. Em 1961, o livro foi adaptado como peça teatral por Edi Lima e encenado no Teatro Nídia Lícia, no mesmo ano. Sua obra também virou filme, produzido pela Televisão Alemã, que utilizou a própria Carolina de Jesus como protagonista do longa-metragem Despertar de um sonho (inédito no Brasil).

Em 1963, Carolina publicou, pela editora Áquila, o livro Pedaços da Fome, com apresentação de Eduardo de Oliveira. Em 1965 publicou Provérbios.
Em 1977, durante entrevista concedida a jornalistas franceses, Carolina entregaria seus apontamentos biográficos, onde narrava sua infância e adolescência. Em 1982 o material foi publicado postumamente na França e na Espanha, sendo lançado no Brasil em 1986, com o título Diário de Bitita, pela editora Nova Fronteira.

Carolina foi uma das duas únicas brasileiras incluídas na Antologia de Escritoras Negras, publicada em 1980 pela Random House, em Nova York. Também está incluída no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis, publicado em Lisboa por Lello & Irmão.
Carolina faleceu em São Paulo, em 13 de fevereiro de 1977.

Sua principal obra foi "Quarto de Despejo"

Sobre a obra, Quarto de Despejo foi um sucesso de vendas no Brasil e no exterior e, na época, levantou uma curiosa polêmica acerca da veracidade de sua composição, suspeitava-se que o jornalista teria forjado a obra para alcançar o sucesso comercial, diante de relatos tão caprichosos e intensos houve a desconfiança infundada e preconceituosa de que não poderia realmente ser uma mulher negra, pobre e pouco letrada a real autora da obra.

Os relatos são tristes e cruelmente reais. As frases curtas, impactantes, e a linguagem real e cheia de vida, transformam a leitura de suas memórias em algo vívido e perturbador. É inevitável que o leitor - contando com um mínimo de empatia - sentirá o peso da vida naquele lugar, as angústias da fome e a esperança - e falta dela - de Carolina levar uma vida mais digna junto aos seus filhos.

O título Quarto de Despejo é uma alusão à metáfora que a autora utiliza em algumas oportunidades para expressar a posição da favela e de seus moradores em relação à cidade:

"As oito e meia da noite eu já estava na favela respirando o odor dos excrementos que mescla com barro podre. Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quanto estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo (p. 33)."

"Quando eu vou na cidade tenho a impressão que estou no paraizo. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas. Aquelas paisagens há de encantar os olhos dos visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas úlceras. As favelas(p. 76)."

O motor do livro é a indignação. A situação de pobreza e marginalização não é nunca naturalizada, a autora manifesta seus desgostos, sua indignação, reclama de seu sofrimento e sonha com mudanças pessoais e também com mudanças na esfera política que façam a situação coletiva prosperar.

Em conversas com outros moradores frequentemente é esse o assunto junto a política, políticos, eleições, governo, economia, e também os acontecimentos cotidianos da própria comunidade, pessoas que chegam e que vão, brigas entre moradores, problemas conjugais, entre outros.

Um dos aspectos que mais marcam a dor vida da autora e o incômodo que a leitura causa é a fome que, além de Carolina, também é personagem principal do livro. As palavras pão, água, café, ao lado da própria fome, repetem-se em quase todos os dias do diário. Aluta contra a fome - sua e de seus filhos - é constante e conduz toda a vida de Carolina no período do diário.

"Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as arvores, as aves tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou aos meus olhos.

A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida (p. 36)."

"É quatro horas. Eu já fiz almoço- hoje foi almoço. Tinha arroz, feijão e reponho e linguiça. Quando eu faço quatro pratos penso que sou alguém. Quando vejo meus filhos comendo arroz e feijão, o alimento que não está no alcance do favelado, fico sorrindo atôa. Como se eu estivesse assistindo um espetáculo deslumbrante (p.44)."

"E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual - a fome! (p. 27)."

Além da condição de pobreza e fome, outros temas que incomodam Carolina são abordados diversas vezes e chamam a atenção pela atualidade e pelo seu conteúdo jurídico, sendo que o modo que a autora descreve e encara as situações permite notar uma visão do direito e de sua relação com a população de um ponto de vista mais humano e concreto, da forma como as questões aparecem em seu cotidiano, e como continuam a aparecer no cotidiano de milhões de brasileiros e brasileiras, ou seja, distante das instituições jurídicas, que nem mesmo alcançam aquelas pessoas em situação de vulnerabilidade social e distanciamento das agências de poder e centros decisórios.

É o caso, por exemplo, das inúmeras descrições de violência doméstica entre moradores da favela, que é colocada como uma questão complexa e ligada a muitos outros fatores que condicionam a vida daquelas pessoas, além de assédios, abusos, estupros e do evidente caráter misógino de nossa sociedade, em que Carolina demonstra que o gênero as deixavam em posição extremamente mais vulneráveis do que os homens em todas as esferas sociais:

"Quando eu era menina o meu sonho era ser homem para defender o Brasil, porque eu lia a história do Brasil e ficava sabendo que existia guerra, só lia os nomes masculinos como defensores da pátria então eu dizia para minha mãe:

- Porque a senhora não faz eu virar homem?

Ela dizia:

- Se você passar por debaixo do arco íris você vira homem.

Quando o arco íris surgia eu ia correndo na sua direção mas o arco íris estava sempre distanciando. Igual os políticos distante de povo. Eu cançava e sentava, depois começa a chorar. Mas o povo não deve cançar, não deve chorar, deve lutar para melhorar o Brasil para nosso filhos não sofrer o que estamos sofrendo. Eu voltava e dizia para minha mãe:

- O arco íris foge de mim (Jesus, 1963, p. 48)."

Carolina também descreve comparecimentos ao Juizado de Menores para buscar seus filhos que estavam nas ruas enquanto ela trabalhava, ou esclarecer problemas de condutas consideradas como crimes. Também relata suas idas ao Juízo para retirar o dinheiro da pensão paga pelo pai de seus filhos, enfrentando filas, atrasos de pagamento, e burocracias que complicavam ainda mais a sua situação econômica, tendo que sustentar três filhos sozinha.

O problema do alcoolismo na comunidade também tem importante espaço no relato de Carolina. O álcool ligado muitas vezes às brigas conjugais, familiares e entre moradores, é normalmente combustível para violência física ou verbal na comunidade, ensejando em contextos de crimes e problemas graves de saúde.

As ocorrências de delitos, dentro e fora da favela, também chamam a atenção no relato da autora. Sobre isso, ela menciona à criminalização seletiva da população da favela por parte da polícia, em que pessoas com o estereótipo de "negro, pobre e favelado" normalmente são as selecionadas pela polícia:

"Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa árvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatório. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no regime da chibata? (p. 96)."

A autora descreve situações em que o aparato repressor do Estado, através da rádio patrulha, intervém nos conflitos de maneira quase sempre neutralizadora; ou seja, encaminhando pessoas para a prisão ou detenção nas delegacias. Carolina relata também alguns furtos e roubos dentro da favela, acerto de contas de dívidas, e também o problema da vingança privada, através dos linchamentos, que reflete o total desamparo daquela população no tocante aos serviços governamentais.

O Estado está presente ali apenas para reprimir.

Carolina também escreve sobre as questões raciais dentro e fora da favela, relata sobre episódios de racismo, e deixa transparecer um pouco da estrutura racializada da cidade de São Paulo na época e da posição marginalizada que os negros e negras ocupavam, mas também exalta a sua cor e o desejo de igualdade:

"Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo de negro mais educado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reencarnações, eu quero voltar sempre preta [...] O branco é que diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém (p. 58)."


                                                                                                                                    Parte 2 em breve

Fontes: ebiografia, wikipedia, saraiva, toda materia, geledes, justificando