Personagens femininas inesquecíveis da literatura

03/12/2018

Talvez antes até do que na sociedade, a mulher já havia conquistado seu lugar na literatura. Aqui vai uma coletânea de personagens femininas inesquecíveis.

Mas antes, apenas para citar alguns  nomes que acabaram ficando de fora (que aqui fazemos menção honrosa): Anna Karenina, Clarissa Dalloway, Jane Eyre, Marcela (Memórias Póstumas de Brás Cubas), Catherine (Adeus às Armas), Julieta Capuleto, Carlota (Os Sofrimentos do Jovem Werther), Sônia (Crime e Castigo), Annabel Lee (Manuscrito), Lolita e Emma Zunz.

Tolstói descreveu a mulher como uma: "substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova".



Daenerys Targaryen, de George R.R. Martin em: Crônicas de gelo e fogo


Emilia Clarke (Daenerys Targaryen na série Game Of Thrones, produzida pela HBO)


A trama de Game of Thrones é repleta de personagens interessantes, com uma longa evolução ao longo do tempo. Mas uma em especial merece o destaque: Daenerys Targaryen, que, apesar de tudo, divide opiniões entre o público.

De fato, a Mãe dos Dragões enfrentou um caminho mais complicado que muitos personagens até chegar a esse título. Logo no começo, ainda sob a proteção do seu abusivo irmão, Viserys, Dany foi vendida, como um mero objeto, à Khal Drogo. E mesmo aterrorizada, ela não recua, não se porta de maneira fragilizada. Muito pelo contrário, ela se impõe e exige ser tratada com o devido respeito que merece. É a partir desse momento, que o empoderamento de Daenerys Targaryen se inicia.

Vale ainda ressaltar que, com a morte de Drogo, ela exige ser chamada de Khaleesi - e não de rainha (frase que se tornou um tanto quanto famosa). Para os que não sabem, Khaleesi, pelo significado da língua dothraki, significa uma mulher que pode andar à cavalo ao lado do Khal, ou, ainda, uma mulher que vale menos que seu cavalo. É nesse instante que você se pergunta por que ela decidiu ser chamada desse jeito quando estava tentando liderar um grupo de pessoas que a respeitassem. Daenerys sabia disso, do mesmo jeito que compreendia que, ao se tornar alguém respeitada pelo povo Dothraki, por meio de suas próprias ações, com o título, ela estaria mudando a conotação de Khaleesi e transformando-a em um símbolo de poder, e não de fraqueza.

Nesse sentido, enquanto os homens presentes em seu caminho procuram liderar seus exércitos com violência e força, Daenerys segue uma linha diferente. Admiração, confiança e lealdade são seus ideais de liderança, o que explica o fato de ter libertado todos os escravos do primeiro exército que adquiriu. Mesmo sabendo que as pessoas irão subestimá-la pelo simples fato de ser mulher, ela segue firme rumo ao seu objetivo. E, acima de tudo, ela fala e corre atrás do que quer, sem se importar em como os outros irão rotulá-la. Afinal, os homens de Westeros fazem isso o tempo inteiro e são vistos como líderes poderosos.

É evidente a visão de uma mulher que resiste à desigualdade e ao ódio que Daenerys Targaryen nos proporciona. À medida que ela vai se empoderando, percebemos como o caminho de uma mulher ao poder em Westeros é muito mais difícil que o de um homem. Talvez, para explicar a grande divisão de opiniões a seu respeito, precisemos encarar as heranças de uma mentalidade machista que coexistem com e/ou dentro de nós. Muitas são as vezes em que nos pegamos incomodados com alguma ação de Daenerys ou até mesmo criticando-a, sem ao menos perceber que os personagens masculinos da série fazem o mesmo e, nós, não os rotulamos da mesma forma.

Quando o assunto é fantasia moderna, poucas personagens femininas são tão importantes quanto Daenerys Targaryen, das famosas Crônicas de Gelo e Fogo do escritor americano George R.R. Martin. O autor é conhecido por criar personagens femininas fortes de uma forma bem natural, sem masculinizá-las (erro muito comum entre os autores do gênero) e é com Daenerys que ele dá seus voos mais altos (às vezes literalmente).


Daenerys Targaryen,  é uma personagem forte e admirável, símbolo do empoderamento feminino, que, além de servir de inspiração, possibilita avaliar como lidamos com esse mundo, onde homens e mulheres são tachados diferentemente pelas mesmas ações, e o que podemos fazer para mudá-lo. Afinal, nós, homens e mulheres, somos dignos do mesmo tratamento e respeito.


Tereza, de Milan Kundera em: A Insustentável Leveza do Ser


Juliette Binoche em A Insustentável Leveza do Ser

Se fossemos definir em uma palavra quem é Tereza, personagem criada por Milan Kundera para estrelar "A insustentável leveza do ser", dificilmente escaparíamos de "intensidade". Tereza é uma mulher sensível e forte ao mesmo tempo. Carrega dores e traumas. Chora e sofre por ciúmes. O maior defeito de Tereza é amar demais. O amor, em demasia, entra em seu inconsciente durante a noite e a faz sonhar com todas as traições (ou "amizades eróticas") de Tomas, seu parceiro. É uma personagem que tem o costume de se observar durante um longo tempo na frente do espelho - não pela vaidade, mas para descobrir-se além da imagem. Não é possível classifica-la como "peso" ou "leveza", termos que perpassam por toda a obra de Kundera. Tereza permeia entre os dois estados, num emaranhado de contradições que a tornam uma mulher fascinante, instigante e, consequentemente, apaixonante. Tereza é dolorosamente humana.


Nastácia Filíppovna, de Fiódor Dostoiévski, em O Idiota.


Lidiya Velezheva (Nastácia Filíppovna em O Idiota de 2003)

Nastássia Filíppovna é a personagem feminina principal de personalidade atuante pela qual o príncipe Míchkin se apaixona, assim que depara com a beleza estonteante da mesma na casa dos Epantchin. A personagem, junto com sua irmã, é amparada por Tótski, onde recebe os cuidados e educação necessários para sua formação. Atingindo a maioridade, tem tudo para ter um futuro brilhante pela frente. Mas, talvez, movida por uma paixão não correspondida por Tótski, que se casa com uma das Epantchin, se torna numa mulher volúvel que enche os olhos do príncipe de profunda comiseração, redimindo assim, toda a sua trajetória de maldade e volúpia.

Nastássia Filíppovna é, de certo modo, uma sombra de Maria Madalena, assim como o personagem principal, príncipe Míchkin, o é de Jesus Cristo. Pela trajetória de abandono, pela veleidade de seus atos, pelo próprio desprezo que nutria pelos homens e por si mesma. 


Molly Bloom, de James Joyce em: Ulysses


No Ulysses, de James Joyce, Molly é mencionada com frequência por Leopold, e por longos dezessete capítulos ele é a única fonte de informação sobre ela. Parece uma figura distante e quase inalcançável, embora muitos a conheçam de vista, mas mesmo ouvindo tanto sobre Marion ela soa distante. Até o décimo-oitavo capítulo: Penélope. O capítulo conclusivo de Ulysses é todo Molly Bloom, cuja mente é apresentada pela própria em um ritmo acelerado, como se ela estivesse empilhando comentários prosaicos com alguém a ouvindo durante o preparo do jantar. 

A vizinhança, as vidas se formando e deformando, os parentes e amigos cujos hábitos por vezes a enjoavam, o marido, as ambiguidades ditas e desditas Dublin afora, nada escapa da sinceridade devastadora da madame Bloom.

E sem querer, Molly Bloom proporciona um passeio pela pluralidade da alma humana, amarrando explicações inconclusas durante Ulysses, apresentando uma história dentro da principal simultaneamente enquanto a completa, fios amarrados de uma história começada anos atrás, ao sentir um pulso. É ela quem conta: "e o coração dele batia que nem louco e sim eu disse sim" (p.1106).


Daisy Buchanan, de F. Scot Fitzgerald em: O Grande Gatsby

Daisy Buchanan (Carey Mulligan), na adaptação do livro dirigida por Baz Luhrmann (2013)


É difícil falar de forma imparcial de Daisy, interesse romântico de Jay Gatsby. Mimada, manipuladora e egoísta, ela usa sua beleza para garantir que tudo seja feito do seu jeito. No entanto, a confissão que faz a Nick Carraway, quando diz que torcia para que a filha fosse uma "bela tolinha", por que isso era o melhor que uma jovem poderia ser, não deixa de ser uma cutucada. Daisy luta com os ardis que tem e tolera as infidelidades constantes de Tom Buchanan, um marido perfeitamente respeitável pela sociedade, mas que pouco lhe oferece. O próprio Gatsby a fez esperar por anos, deixando claro o quanto as mulheres eram pouco agentes de suas vidas ainda no século 20. Mais do que amor ou ódio, Daisy precisa de compreensão


Nina, de Lúcio Cardoso em: Crônica da Casa Assassinada


Não bastasse esse ser um dos livros mais importantes da literatura nacional, ainda apresenta essa personagem inesquecível. Ela é descrita como uma mulher de uma beleza rara, ofensiva até, para os padrões da cidadezinha do interior de Minas Gerais, onde a família Menezes tem poder e influência. Misteriosa e sedutora, num primeiro momento é reprimida pelo silêncio e monotonia da chácara da família, mas vai aos poucos descobrindo onde encontrar aliados e termina funcionando como um anjo exterminador. Mas seu grande feito não é destruir uma família que se mantinha apenas de aparências; ela comete o pecado supremo como ato de desobediência. Esse pecado serve como instrumento de destruição. Ela é capaz de transformar o amor em um ato de morte, de usá-lo para ferir, ao mesmo tempo que faz da morte (o pecado) um ato de amor. Nina é a prova de que a beleza e as mulheres não podem ser possuídas.


Tristessa, de Jack Kerouac em: Tristessa


Desequilibrada e viciada, Tristessa é uma das personagens mais pulsantes e imprevisíveis da vasta cartela de personagens inexoravelmente humanos criados por Jack Kerouac, autor de On The Road, entre outras obras. Na novela que leva o nome da personagem, Tristessa é uma prostituta mexicana, uma junkie decaída, buscando a todo momento descolar a próxima dose de morfina na Cidade do México. Vale acrescentar que tudo que se sabe sobre Tristessa, pelo leitor, é descrito pelo jovem poeta americano Jack, um apaixonado que eleva sua linguagem ao nível do absurdo poético ao descrever esta prostituta.


Capitu, de Machado de Assis em: Dom Casmurro


Leticia Persiles na minissérie da Globo

Maria Capitolina Santigo, mais conhecida como Capitu, é a personagem feminina que dá o tom ao clássico Dom Casmurro, escrito por Machado de Assis. Nele encontramos a envolvente e dependente história de amor entre a grande mulher e Bentinho, que se conhecem desde a infância e, com o passar do tempo, descobrem o mundo e a si mesmo em uma relação de constante desconfiança e possessividade. A notabildade de Capitu quanto mulher é observada desde muito cedo na narração, o que mostra quão avassaladora a personagem esculpida por Machado é. Seus olhos de ressaca que afogaram Escobar e Bentinho são marca na história da Literatura e fazem uma perfeita metáfora com seu ser: basta imergir-se naquele mar esverdeado por muito tempo para esquecer de si até tornar-se inconsciente e nada mais ser. Moderna para uma figura surgida em 1899, Machado personificou em Capitu valores absurdos à época, tais como o adultério (porém essa parte é questionada entre as pessoas, sendo o grande tema do livro, enquanto para alguns ela traiu o Bentinho, para outros foi coisa da cabeça dele por ser super desconfiado e ciumento) e a exploração da sensualidade feminina.


Emma Bovary, de Gustave Flaubert em: Madame Bovary

Mia Wasikowska em Madame Bovary de 2014

A personalidade complexa de Emma Bovary é belamente desenvolvida por Flaubert em sua obra prima. Ao mesmo tempo sonhadora, delicada, culta e fascinante, ambiciosa, dramática, egoísta e ingênua, Emma representa a classe burguesa entediada, a mulher em cativeiro e as ilusões românticas. Incapaz de ser feliz no amor, seja com o marido ou com os amantes, presa fácil de aproveitadores, vítima de uma sociedade hipócrita e causadora de sua própria desgraça, a personagem encontra em seu fim trágico mais do que uma punição, uma libertação, simbolizando a queda do Romantismo, o massacre dos sonhos da juventude.


Hermione, de J.K. Rowling em: Harry Potter

Hermione (Emma Watson), em Harry Potter

Nome inspirado em Shakespeare (Conto de Inverno) e também na forma feminina pré-Grécia do Deus Hermes, que entre outros atributos era a divindade da magia. Hermione Jean Granger é uma dos três protagonistas da saga que marcou a última geração de leitores, Harry Potter. 

Personagem marcante por sua coragem, idealismo, inteligência e determinação. Acreditava que todo o conhecimento necessário seria fornecido pelos livros. É a grande responsável pela liga tão forte do trio de heróis. A adaptação do cinema não fez justiça a sua essência. Os leitores, contudo, puderam crescer junto com a personagem ao longo dos sete volumes da autora J. K. Rowling. 

Hermione caracterizou muito bem os problemas típicos de uma estudante - de magia. Além do mais, precisou exercer a amizade em níveis sequer imaginados. Talvez, o que nos encanta nessa personagem de literatura fantástica seja o fato dela também ter pais trouxas, como nós. O carisma da personagem e empatia imposta aos leitores fez de Hermione a 2ª personagem mais popular da saga, perdendo apenas para Severo Snape - pesquisa feita pela editora Bloomsbury, Lovefilm e associação Filmclub.


Macabéa, de Clarice Lispector em: A hora da estrela


Através de Macabéa, podemos, assim como o narrador de A hora de estrela(Clarice Lispector, 1977), liberar o grito de horror a essa vida que tanto amamos. Datilógrafa virgem, vestia-se todos os dias de si mesma e representava, obediente, seu papel de ser. Não era idiota, mas carregava em seu peito a felicidade dos idiotas. A história dessa nordestina é uma pergunta. Com toda a sua "indiferença" a si mesma (apenas vivia, inspirando e expirando), Macabéa desperta o leitor para o seu próprio eu. Afinal, a vida se resume a simplesmente existir (com uma pitada de não saber que, de fato, se existe) ou a questionar o mundo, buscando uma verdade explosiva e plena?


Nástienka, de Fiodor Dostoiévski em: Noites Brancas


Nástienka é uma personagem de Noites Brancas, do escritor Dostoiévski. O protagonista Sonhador a conhece e cria um amor platônico por ela. Porém, mais do que isso, Nástienka aponta para as imposições da vida, as quais não podem ser ignoradas, mas, ao mesmo tempo, nos diz que é preciso sonhar. Ela é jovem, ingênua e também sonhadora, que fica à espera de um prometido amor durante quatro noites. Nástienhka é o símbolo da discussão sobre até que ponto as pessoas podem se esconder através de seus sonhos, para evitar o sofrimento. Mostra a contradição entre a vida real vazia e as suas paixões. Nástienhka é uma mulher, com beleza e imperfeições como a vida, assinalando que todos nós somos o protagonista Sonhador: podemos encarar a vida ou virar o rosto em repúdio, mas nunca podemos negar sua pungente existência.


Fraülein Elza, de Mário de Andrade em: Amar, Verbo Intrasitivo


A alma feminina desnudada sem pudor e de modo sutilmente elegante pelas mãos do intelectual Mário de Andrade. Fraülein Elza, um misto de muitas mulheres em apenas uma única. A governanta recém-contratada pelo patriarca da família Souza Costa, com o propósito não apenas de cuidar da manutenção da casa e das crianças. No acordo, discretamente, pré-estabelecido por Souza Costa, seria a "professora do amor" de Carlos, seu filho mais velho, um rapazinho a quem Fraülein conduzirá em seu florescer sexual - fazendo-o um homem. Elza, no entanto, não é apresentada como uma prostituta. Ao menos não no sentido pejorativo da palavra. Ela possui modos refinados, é observadora e inteligente; e sua vocação não a torna uma mulher de traços ou postura explicitamente erotizados, porém livre e independente. Elza é a personificação de um projeto feminino desvinculado das utopias de sumo conservadoras da "tradicional família brasileira" - de uma ousadia com classe. Embora Fraülein Elza seja de origem alemã, sem dúvida, é uma das personagens mais emblemáticas, senão uma das mais importantes da literatura brasileira, depois de Capitu. A protagonista do primeiro grande romance do modernismo brasileiro - influenciada pela psicologia freudiana - nos ensina que Amar é um verbo intransitivo.


Úrsula Iguarán, de Gabriel Garcia Márquez em: Cem anos de solidão


Úrsula Iguarán é a chefe da casa dos Buendía em Cem anos de solidão, romance de quinhentas páginas e sete gerações de Gabriel García Márquez. Úrsula é a viga mestra de sua família e sua cidade. Úrsula é (e sempre será) a *multimulher*. Úrsula é forte, pragmática, inseparável de suas convicções; é descrita como "ativa, pequena, severa, mulher de nervos inquebráveis, a quem em nenhum momento de sua vida ouviu cantar, parecendo estar em todas as partes desde o amanhecer até muito adiantada a noite." Úrsula cuidou de todos mesmo além da sepultura e até o leitor mais distraído ao terminar o romance percebe que foi Úrsula quem manteve Macondo de pé. Se Cem anos de solidão pode ser lido como metáfora para a história da América Latina, Úrsula é então a mãe metafórica, a mãe de todos, a mãe sulamericana platônica, a mãe de todas as mães.


Elizabeth Bennett (Orgulho e Preconceito, Jane Austen)

Elizabet Bennet (Keira Knightley) em Orgulho e Preconceito 2005

Elizabeth Bennet é inteligente, forte e definitivamente sabe o que quer!

Uma das personagens mais icônicas de Jane Austen, Lizzie vive numa sociedade totalmente patriarcal, onde as mulheres não recebem um tratamento igualitário ou têm muito direito de escolha...

Há uma teimosia em mim que nunca fica aterrorizada diante da vontade dos outros. A minha coragem sempre aumenta, sempre que alguém tenta me intimidar.

Mas, a personalidade e coragem de Lizzie Bennet fez com que se destacasse das demais mulheres de sua família, tornando-se um exemplo para muitas outras na vida real ao longo dos anos!


Alice (Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll)

Mia Wasikowska em Alice no País das Maravilhas, adaptação de 2010

Uma das personagens mais icônicas da literatura infanto-juvenil mundial. Alice é uma jovem menina destemida, corajosa, criativa e muito imaginativa, servindo de exemplo para crianças e adultos de várias gerações.

Na história, Alice cai em um buraco ao perseguir um coelho e se vê num mundo totalmente nonsense, onde os sonhos mais surreais se tornam realidade.

Existem inúmeras interpretações sobre a obra de Alice no País das Maravilhas que, de acordo com estudiosos, está recheada de sátiras e paródias a situações contemporâneas de Carroll.


Katniss Everdeen (Jogos Vorazes) 

Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes, adaptação de 2012

Katniss quebra uma sequência hollywoodiana de personagens femininas sem profundidade, que não tem suas personalidades desbravadas e não apresentam evolução, muito menos obtém suas próprias conquistas. Personagens essas, que são encaixadas nas histórias para alívio da imagem dos personagens masculinos, para transformá-los em alguém melhor e mais tragável para o público.

Geralmente são retratadas como mulheres que cedem às vontades dos homens, criadas para povoar o imaginário masculino com o esteriótipo da "mulher perfeita" que está em busca do homem ideal.

Essas mulheres não apresentam características variadas, predominando a sensibilidade, a delicadeza, a meiguice e a vulnerabilidade, fora o bom-humor e alegria constantes, desumanizando-as, como se não tivessem dias ruins e estivessem sempre disponíveis para consolar o único personagem (o homem) que passa por problemas reais e que merecem atenção.

Enquanto Bella Swan, de Crepúsculo, se mostra completamente dependente de Edward, Katniss cuida da irmã frágil, da mãe problemática, caça sozinha e vai contra o autoritarismo da Capital, como quando impediu que Prim fosse para os jogos, decidindo ir em seu lugar, mesmo sabendo que talvez morresse logo na largada. Diferente de Anastasia Steele, de Cinquenta Tons de Cinza, que se submete ao parceiro e faz absolutamente tudo o que ele quer, além de ser vítima de perseguição da parte dele, Katniss só tem a ela mesma, mesmo tendo a presença do colega de caçadas, que a ama profundamente.

Acredito que sobrevivente seja a melhor palavra para defini-la, pois de maneira geral, Jogos Vorazes não é só sobre matança, é também sobre quem é o mais apto a sobreviver. Ao mesmo tempo em que cria armadilhas na floresta para pegar outros competidores, Katniss colabora com Rue, do Distrito 11 e sofre com a morte da garotinha, homenageando-a com flores e um arranjo cerimonial que deixa todos os distritos emocionados a ponto de se revoltarem com a Capital por fazerem esses jogos. Katniss está sempre indo contra o autoritarismo da Capital, nunca aceitando ser forçada a ter que fazer determinada coisa só porque eles querem ou até mesmo não permitindo que ninguém a olhe de cima.

Katniss Everdeen é listada entre os 11 personagens mais influentes de 2013

Que Suzanne Collins criou uma personagem muito marcante na trilogia Jogos Vorazes todo mundo já sabe. Agora, sua personagem principal, Katniss Everdeen, conseguiu um grande feito: estar entre os 11 personagens de ficção mais influentes. Publicada na renomada revista Time, a lista possui alguns dos personagens que mais se destacaram esse ano, seja no cinema, literatura, internet ou TV.

Interpretada no cinema pela grande atriz Jennifer Lawrence, a heroína da série de livros ocupou a terceira posição na lista, perdendo apenas para Walter White, interpretado pelo ator Bryan Cranston na série Breaking Bad, e Olivia Pope, interpretada por Kerry Washington na série Scandal, sendo seguida por Sophia Burset, interpretada por Laverne Cox na série Orange is the New Black, Carlos Danger, personagem criado por Anthony Weiner para conversas online, Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey na série House of Cards, Michael De Santa, Franklin Clinton e Trevor Philips, personagens do jogo Grand Theft Auto V, Ron Burgundy, interpretado por Will Ferrell no filme O Âncora, Burka Avenger, super-heroína animada de um desenho paquistanês, Tony Stark, interpretado por Robert Downey Jr. na série de filmes Homem de Ferro e Os Vingadores, e, terminando a lista, Brian Griffin, personagem da série de animação adulta Uma Família da Pesada (Family Guy


                                                                                                                                                               Parte 2 em breve

Fontes: Homoliteratus, Pensador, Momentumsaga, Cin3felia