Tezcatlipoca - O Deus do Sol, Trevas e Feitiçaria

02/07/2019

Em muitas narrativas, Tezcatlipoca era responsável pelo mal e a crueldade que couberam à humanidade depois de ele ter destruído a Idade de Ouro. Tezcatlipoca ("Espelho Fumegante") era, originalmente, o deus asteca do Sol, mas, em sua batalha com Quetzalcoatl ele se tornou o deus das trevas e da feitiçaria.

Antes da criação, ele havia lutado com Coatlicue em seu aspecto como crocodilo primordial na tentativa de formar a Terra, e quando Coatlicue arrancou-lhe o pé com um a mordida, ele o substituiu por um espelho de pedra polida que refletia o passado, presente e futuro. Depois de ter sido arremessado do céu, Tezcatlipoca tornou-se um jaguar na Terra e a constelação da Ursa Maior no céu.

Estava sempre invisível e podia olhar em todas as quatro direções da bússola com suas quatro faces invisíveis simultaneamente. Podia se mostrar sob outras formas também: um homem nu que era desejado pelas jovens; ou um guerreiro com uma faixa diagonal atravessando seu rosto e seu pé-espelho. As vezes, ele aparecia como um esqueleto com o coração pulsando por trás de suas costelas.

As costelas se abriam e fechavam como um a gaiola e, se alguém desejava obter favores dele, tinha de meter o braço entre as suas costelas e arrancar-lhe o coração.

Ele, então, ofereceria grandes riquezas para ter o coração no lugar novamente, mas, era apenas um truque. Todos os anos, um ritual de sangue era realizado em seu altar, no qual o coração de um homem vivo era arrancado e ofertado a ele, para apaziguá-lo.

O espelho de Tezcatlipoca lia o futuro de todos os seus adoradores e também lhes adivinhava os segredos. Com o tempo, o deus passou a recompensar os bons e punir os maus, embora tivesse sede de sangue humano. Mais tarde, uma trapaça contra seu rival e irmão Quetzalcoatl resultou na retomada de sua posição de governante supremo.

Por vezes comparado a Júpiter e a Lúcifer, assim como ao deus maia Hurakan, Tezcatlipoca é talvez a mais enigmática e impressionante das divindades astecas.

Era filho de Ometeotl, o Ser Supremo, e um dos quatro criadores do Universo e dirigente do Primeiro Sol (o Sol da Terra) e destruidor do Segundo Sol (o Sol do Ar).

O animal associado a Tezcatlipoca é o forte jaguar. Os Astecas pensavam que o padrão da pele do jaguar fazia lembrar o céu noturno e as imagens de Tezcatlipoca, costumam ilustrá-lo vestido com a pele do animal.

A importância e a influência desta divindade é tão vasta que ele é o patrono da realeza, dos feiticeiros e dos criminosos além de ser um protótipo de todas as divindades relacionadas com a guerra, como Huitzilopochtli. E, tal como este, também advogava e encorajava o sacrifício humano.

O Espelho Fumado

Tezcatlipoca está não só ligado ao jaguar mas também ao seu «espelho fumado» de obsidiana, uma pedra preta baça. De faco, a palavra asteca para obsidiana é «tezcat». Tezcatlipoca tinha um espelho atado à parte de trás da cabeça que ele usava como instrumento de adivinhação e com o qual podia prever os acontecimentos futuros e dizer o que ia na alma das pessoas.

Também possuía um pé feito de obsidiana e as histórias variam quanto à forma como havia perdido o pé verdadeiro. Uma versão conta que ele se apaixonou por Xochiquetzal, a deusa da Lua e das flores e esposa de Tlaloc, o deus da chuva. Quando Tezcatlipoca tentou seduzir a deusa, o marido enraivecido atirou-o do topo da montanha celeste e em conseqüência disso ele perdeu o pé, que tratou de substituir por um espelho de obsidiana.

Uma outra versão conta que Tezcatlipoca e o irmão Quetzalcoatl tinham sido enviados à Terra para combaterem Cipactli, o Monstro da Terra parecido com um crocodilo e que vivia debaixo de água. Tezcatlipoca enfiou o pé na água para atrair o monstro cá para fora, mas ele comeu-lhe o pé.

Rival de Quetzalcoatl

Embora não sendo tão popular como o irmão Quetzalcoatl, alguns consideram que Tezcatlipoca era segundo em grandeza depois do pai Ometeotl e que Quetzalcoatl era mais venerado como herói cultural dos Astecas.

Os irmãos sempre foram rivais e viriam a destruir as criações um do outro.

Um dia, num ataque de ciúmes, Tezcatlipoca embebedou o irmão e depois levou-o a dormir com a irmã, acontecimento este que levaria Quetzalcoatl a cair em desgraça.

Tezcatlipoca e Quetzalcoatl e representam as dualidades do Universo - noite e dia, luz e trevas, bem e mal, criação e destruição - as forças opostas necessárias à regeneração e continuidade do equilíbrio cósmico


Fontes: templodeapolo, infoescola, mitographos, cantinhodosdeuses