Joana d'Arc (Jeanne d'Arc) - A Santa padroeira da França

07/06/2018

Joana D'Arc, conhecida como a "Donzela de Orleans", foi uma guerreira e líder militar francesa. É considerada uma das personagens históricas mais importantes na formação do estado nacional francês devido aos seus feitos militares

Biografia

Joana nasceu aproximadamente em 6 de janeiro de 1412, no vilarejo de Domrémy, região da Lorena, na França. Hoje, a cidade chama-se Domrémy-la-Pucelle ("Pucelle", em francês, significa virgem ou donzela) em honra à heroína.

Joana D'Arc era filha dos agricultores e artesãos Jacques D'Arc e Isabelle Romée sendo a caçula de quatro irmãos. Como era comum entre camponeses, ela não aprendeu a ler e a escrever.

Durante a adolescência ela teria ouvido vozes que lhe confiariam à missão de libertar a França e entronar o verdadeiro rei.

Na época, parte da França vivia sob domínio inglês e os franceses se dividiram em aqueles que os apoiavam como os Borguinhões. Contudo, havia quem acreditasse que o legítimo rei era Carlos VII, como os Armagnacs.

Vocação Militar

Sua jornada começa no ano de 1429, quando Joana D'Arc tinha ainda 16 anos. Com cabelos curtos e vestindo trajes masculinos, ela percorre as linhas inimigas por quase um ano, lutando contra os Borguinhões, até alcançar Chinon, onde se encontra com o monarca Carlos VII.

Ao ouvir falar desta corajosa guerreira Carlos VII resolve testar a veracidade de suas visões. Para isso, o soberano a convida ao seu castelo, mas pede que ninguém lhe revele sua identidade.

Ordena aos seus nobres que se vistam com elegância e se apresentem como o rei. Joana examina alguns desses supostos monarcas, mas não os reverencia. Somente quando se detém diante do verdadeiro rei Carlos VII se curva e o declara como o verdadeiro rei da França.

Desta maneira, o rei nomeia Joana comandante do seu exército e lhe atribui uma tropa de mais de quatro mil homens. Com estes soldados, ela liberta a cidade de Orleans em apenas três dias.

Na sequência, Joana inicia a missão a que estava destinada: conduzir o rei Carlos VII à cidade de Reims para ser declarado rei.

Nesta cidade eram tradicionalmente coroados os reis franceses e Carlos VII é feito rei no dia 17 de julho de 1429 na catedral. Com isso, se renovam as esperanças do povo francês em libertar o país do domínio inglês.

No ano seguinte, Joana D'Arc reinicia a campanha militar e, após uma série de vitórias, tenta libertar a cidade Compiègne. Nesta batalha, contudo, Joana foi capturada, ferida e vendida aos Borguinhões, aliados dos ingleses.

Após meses de julgamento, Joana foi interrogada acerca das vozes que alegava ouvir, bem como pelas suas vestes masculinas, sendo então declarada culpada de heresia.

Foi condenada à fogueira, sendo queimada viva em 30 de maio de 1431, na Praça do Velho Mercado, em Rouen, no noroeste da França. Na época, a cidade se encontrava sob domínio inglês.

Contexto Histórico

A vida de Joana D'Arc se desenrola na época da Guerra dos Cem Anos, quando a França iniciou a retomada dos territórios perdidos à Inglaterra na França setentrional.

Após a morte de Carlos VI, no ano de 1422, e da coroação de Henrique VI da Inglaterra como novo rei francês, a França se dividiu em duas grandes facções. De um lado temos os Borguinhões que apoiam os ingleses.

Por outro lado, estão os Armagnacs, que reconhecem Carlos VII como o legítimo rei francês, iniciando uma campanha militar para entroná-lo.

Sob a liderança de Joana, o exército de Carlos VII derrota os Borguinhões e ingleses, recuperando parte do território. Assim, ela está na gênese da formação histórica da França como nação.

Joana D'Arc, a Santa

Dizem os relatos que, aos 13 anos de idade, Joana D'Arc passou a se comunicar com um arcanjo e santas. Estes seriam São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia.

Entretanto, após a morte do rei Carlos VI, as mensagens ordenavam que Joana coroasse como rei a Carlos VII e salvasse a França. Deste modo, ela entra para o exército a fim de lutar contra a Inglaterra.

Joana cumpriu sua missão, mas foi capturada e entregue à Inquisição. Declarada culpada e condenada à fogueira, anos mais tarde seria considerada inocente pelo Papa Calisto III, em 1456.

Com isso, após sua morte e absolvição, o Papa Pio X realiza sua beatificação, em 1909 e, em nove de maio de 1920, é canonizada pelo Papa Bento XV.

Por fim, no ano de 1922, Joana D'Arc foi declarada padroeira da França.

Saiba mais em Igreja Medieval

Frases

  • Eu não tenho medo ... Eu nasci para fazer isso.
  • Eu preferiria morrer a fazer algo que sei ser um pecado, ou contra a vontade de Deus.
  • Há pessoas que acreditam em pouco ou em nada e, ainda assim, dão suas vidas por esse pouco ou por esse nada. Tudo o que temos é a nossa vida, e a vivemos como acreditamos que devamos vivê-la, e então ela se vai. Mas renunciar ao que se é e viver sem acreditar em nada é mais terrível do que morrer - mais terrível até do que morrer jovem.

Curiosidades

  • A figura de Joana D'Arc é símbolo da direita francesa que costuma se reunir diante da sua estátua, em Paris, para realizar comícios.
  • A vida de Donzela de Orleans inspirou inúmeras obras como uma peça escrita por Friedrich Schiller, em 1801, e uma ópera composta por Giuseppe Verdi, em 1844.
  • O grupo de rock brasileiro Camisa de Vênus compôs a música "Eu Não Matei Joana D'Arc" que se tornou um grande sucesso nos anos 80.

Bento XVI


Santa Joana D'Arc: exemplo de santidade na política

Em uma de suas audiências gerais (26/01/2011) o Papa Bento XVI falou sobre Santa Joana D'Arc e destacou seu "belo exemplo de santidade para os leigos empenhados na vida política, sobretudo nas situações de maior dificuldade".


O Sumo Pontífice lembrou que Santa Catarina de Siena e Santa Joana D'Arc são as figuras mais características de "mulheres fortes"que, no fim da Idade Média, mostraram sem medo a luz do Evangelho em momentos difíceis da história.

O Santo Padre salientou a força das mulheres em episódios cruciantes da história. Recordou o exemplo de Nossa Senhora e de Santa Maria Madalena: "Podemos escutar as santas mulheres que permaneceram no Calvário, próximas a Jesus crucificado e a Maria, Sua mãe, enquanto os apóstolos fugiram e o próprio Pedro negou Jesus três vezes."

Santa Joana D'Arc

Bento XVI lembrou que Santa Joana D'Arc viveu num período conturbado da história da Igreja e da França: ela nasceu em 1412, quando existia um Papa e dois anti-papa. Junto com este cisma na Igreja, aconteciam contínuas guerras entre as nações cristãs da Europa. A mais dramática delas foi a "Guerra dos Cem Anos", entre França e Inglaterra.

"A compaixão e o empenho da jovem camponesa francesa diante do sofrimento do seu povo tornou mais intenso o seu relacionamento místico com Deus", explicou o Papa.

Santidade na Contemplação e ação

O Pontífice recordou que um dos aspectos mais originais da santidade desta jovem foi a ligação entre a experiência mística e contemplativa e a missão e ação política: "Depois dos anos de vida oculta e crescimento interior, seguem dois anos, curtos, mas intensos, de sua vida pública: um ano de ação e um ano de paixão".

Paz e justiça entre os cristãos

O futuro Rei da França, Carlos VII, rendeu-se aos conselhos da camponesa de Domremy, depois de ela passar por exames de teólogos.

A proposta que ela tinha era de uma verdadeira paz e justiça entre os povos cristãos, à luz dos nomes de Jesus e Maria. Esta proposta foi rejeitada e Joana, então, se engaja na luta pela libertação de seu país em 8 de maio 1429.

"Joana vive com os soldados, levando a eles uma verdadeira missão de evangelização. Muitos testemunham sua bondade, sua coragem e sua extraordinária pureza. É chamado por todos, como ela mesma se definia, 'la pucelle', a virgem", conta o Papa.

Condenação de uma santa

Em 1430, ela é presa por seus inimigos, que a julgaram. "Os juízes de Joana eram radicalmente incapazes de compreender, de ver a beleza de sua alma, não sabiam que condenavam uma santa".

Na manhã do dia 30 de maio, recebe pela última vez a Comunhão na prisão e, em seguida, é conduzida à praça do velho mercado. Pede a um dos sacerdotes para manter diante dela um crucifixo e, assim, morre "olhando Jesus Crucificado e pronuncia mais vezes e em alta voz o Nome de Jesus".


O nome de Jesus, confiança e amor a Deus

"O Nome de Jesus, invocado por essa santa até os últimos momentos de sua vida terrena, era como o contínuo respirar de sua alma, um hábito do seu coração, o centro da sua vida", ressaltou o Santo Padre. Para o Pontífice, o "mistério da caridade de Joana D'Arc é aquele total amor de Jesus que está sempre em primeiro lugar na sua vida. "Amá-lo, significa obedecer sempre a sua vontade. Ela afirmava com total confiança e abandono: 'Confio-me a Deus, meu Criador, amo-o com todo meu coração'", destacou o Papa.

Oração: diálogo contínuo com Deus

Esta santa viveu a oração como um diálogo contínuo com Deus que iluminava também seu diálogo com os juízes e dava paz e segurança. "Em Jesus, Joana contempla também a realidade da Igreja, a 'Igreja triunfante' do Céu, como a 'Igreja militante' da Terra. Segundo suas palavras, 'é tudo uma coisa só: Nosso Senhor e a Igreja'.

Amar a Igreja

"No amor de Jesus, Joana encontra a força para amar a Igreja até o fim, também no momento de sua condenação", enfatiza o Santo Padre.

Por fim, Bento XVI afirma que o luminoso testemunho de Santa Joana D' Arc convida a um alto padrão de vida cristã: "fazer da oração o fio condutor dos nossos dias, tendo plena confiança no cumprimento da vontade de Deus, seja ele qual for; viver a caridade sem favoritismos, sem limites, e atingindo, como ela, no Amor de Jesus, um profundo amor pela Igreja". Santa Joana D'Arc, foi canonizada pelo Papa Bento XV, em 1920. (JG).


Fontes : Toda Matéria, Aventuras na História, Gaudimpress