Ilya Muromets - Herói Eslavo

08/04/2019

Ilya Muromets (Илья Муромец ), ou Ilya de Murom , às vezes Ilya Murometz , é um herói popular da antiga Kievan Rus - um bogatyr (parecido com um cavaleiro errante ) e um personagem de muitas bylinas ( poemas épicos medievais eslavos orientais ). Nas lendas, ele é frequentemente apresentado ao lado de colegas bogatyrs Dobrynya Nikitich e Alyosha Popovich. 

Embora as aventuras de Ilya Muromets sejam principalmente uma questão de lenda, ele é associado a uma figura histórica: um guerreiro medieval e, mais tarde, um monge chamado Ilya Pechersky. Venerável Ilya Pechersky é beatificado como um santo monástico da Igreja Ortodoxa . Suas relíquias são preservadas em Kiev Pechersk Lavra.


História

Na aldeia de Karacharovo, nos arredores da cidade de Murom, morava Ilya. Por anos a fio viveu recostado junto ao forno, incapaz de usar as pernas e os braços.

Passados já trinta anos, num verão, na época do corte da lenha, o pai e a mãe saíram para desmatar o campo e deixaram Ilya na choupana. Vieram então três santos peregrinos, vestidos como velhos e pobres cantadores ambulantes de salmos, e suplicaram ao rapaz que lhes desse de beber.

- Ai de mim, viajantes, bons homens, caros amigos! - disse Ilya. - De boa vontade lhes serviria o que quisessem, mas não consigo levantar-me e não há ninguém na cabana comigo.

- Levanta-te e vai lavar-te, insistiram os homens, e traze logo bebida para nós.

Então ele se ergueu e andou; e tendo enchido um copo com kvas destilado do melhor centeio, trouxe-o para os anciões. Eles o receberam, beberam do copo e o deram de volta a Ilya para beber também, dizendo em seguida:

- Como está tua força, Ilya?

- Eu vos agradeço humildemente, bons velhos. Sinto uma grande força dentro de mim, tanta que poderia até mover o mundo.

Ouvindo isso, os homens se entreolharam e disseram:

- Dá-nos de beber de novo.

E Ilya obedeceu. E depois de beberem eles lhe passaram o copo pela segunda vez e, quando ele tomou mais um gole, perguntaram:

- E agora como te sentes, Ilya?

- A força que sinto é muito grande, mas é a metade da que era.

- Que fique assim; pois, se te dermos mais, a Mãe Terra não suportará teu peso. E agora, Ilya, estás pronto para seguir teu caminho.

Ilya largou o copo na mesa e saiu para a rua, sem nenhuma dificuldade; e os velhos lhe disseram ainda:

- Deus te abençoou, Ilya, com essa força que vem dele. Portanto, deves sair em defesa da fé cristã, combater contra todas as hordas dos infiéis, por mais bravos e atrevidos guerreiros que sejam, pois está escrito que a morte não te virá em batalha. Em toda a extensão branca deste mundo, ninguém pode contigo, exceto apenas Volkh Yaroslavich, teu superior em esperteza, e o gigantesco Svyatogor e, mais poderoso ainda, o predileto da Mãe Terra Úmida, Mikula Selyaninovich, filho de lavradores. Contra esses três não tentes lutar. Não te feches em casa nem te ocupes com a lavoura, mas dirige-te à cidade de Kiev. Antes de partir, deves obter um cavalo de batalha, como te explicaremos, forte o bastante para agüentar teu corpo e levar-te aonde quiseres ir.

Terminando de instruir Ilya, os homens sumiram. Quanto a Ilya, foi logo procurar o pai no campo, e o encontrou com a mulher e os ajudantes, dormindo, descansando do trabalho. Pegou os machados deles e começou a cortar as árvores; e o que o pai e seus homens não fariam em três dias, Ilya acabou no espaço de uma hora. Tendo dessa forma derrubado tudo num lote inteiro, cravou cada machado bem firme em um toco, de onde ninguém conseguiria arrancá-los.

Quando os outros acordaram e viram onde estavam os machados, e notaram a grande quantidade de madeira empilhada, ficaram muito espantados, imaginando quem teria feito aquilo. Disse a mãe ao marido:

- Olha, foi o nosso Ilyuchenko que cortou!

- Estás louca, como pode ser ele? Que tolice!

Viram o filho e o interrogaram:

- Ilya, por Deus, o que houve por aqui?

- Foram uns homens santos que vieram bater em nossa porta. Eu lhes disse que não poderia atendê-los porque não tinha pernas. Eles me mandaram levantar-me assim mesmo e servi-los de bebida. Beberam e me fizeram beber, e com isso uma força heróica surgiu em mim.

Os camponeses acorriam e comentavam entre eles em voz alta:

- Vejam que possante campeão ele se tornou, vejam quanto fez! Precisamos contar a todos na cidade.

- Deus te concedeu grande torça, Ilya - disseram seus pais.- Trata de viver daqui em diante com ainda maior modéstia e humildade, e não cedas às loucuras de teu coração. Junto conosco dá graças a Deus, que fez de ti um trabalhador tão tamoso.

Mas Ilva saiu a caminhar até que viu um camponês puxando um potro baio peludo, como nunca tinha visto. Pagou ao homem o preço que ele pediu para vendê-lo. Conservou o potro no estábulo, alimentando-o com o melhor trigo branco turco, e dando-lhe de beber da pura água da fonte. Passados assim três meses, deixou-o preso no jardim por mais três dias, recolhendo e borrifando sobre ele o orvalho caído de madrugada. Depois soltou-o no cercado e o fogoso animal começou a empinar e saltar para um lado e para o outro. E afinal provou ser capaz de sustentar o enorme peso de Ilya, pois o baio Burushko se tornara um corcel heróico. Nisso tudo, Ilya procedera conforme o conselho dos velhos cantadores de salmos que o haviam curado.

Depois de selar Burushko, Ilya veio prostrar-se diante dos pais para receber a bênção de despedida, e saiu cavalgando pela pradaria sem fim. Galopando por algum tempo, deparou-se com um pavilhão de linho branco, armado à sombra de um carvalho. Dentro havia um leito de proporções heróicas, com dez braças de comprimento e seis de largura. Amarrou o corcel ao carvalho e se estendeu sobre o leito, não demorando a adormecer. Seu cochilo heróico foi mesmo profundo: dormiu três dias e três noites seguidos. No terceiro dia, o bom Burushko ouviu um clamor alto vindo do norte. A Mãe Terra tremia, as florestas escuras cambaleavam, os rios transbordavam por sobre as margens escarpadas. O cavalo bateu com um casco na terra, mas não conseguiu despertar Ilya, e então berrou com voz humana:

- Olha aí, Ilya de Murom! Dormes e tiras folga, e não sabes que infortúnio paira sobre ti. O bogatvr Svyatogor vem para o pavilhão. Solta-me já em campo aberto e trepa no carvalho!

Ilya ergueu-se de um salto sobre os pés ligeiros, desatou Burushko e subiu no carvalho. E eis que um bogatyr gigante se aproximava, mais alto que o arvoredo e quase tocando a cabeça nas nuvens. Sobre o ombro levava um barril de cristal que, ao chegar junto ao carvalho, colocou no chão e abriu com uma chave dourada. Dele saiu sua heróica mulher. Em todo este mundo branco nunca se viu ou ouviu falar de tanta beleza; muito alta era sua estatura e gracioso seu modo de andar; os olhos eram como os do falcão de penas claras, as sobrancelhas da mais negra zibelina, e seu corpo alvo era incomparável.

Uma vez fora do barril de cristal, ela arrumou uma mesa, cobriu-a com toalha e pôs em cima toda sorte de doces; e do barril trouxe também hidromel para beber. Assim, o bogatyr e ela festejaram e se divertiram. Terminando de comer e beber, Svyatogor entrou no pavilhão e caiu no sono. Mas sua bela mulher heróica foi passear pelas redondezas e, nessas andanças, avistou Ilya trepado no carvalho.

- Desce já, bom rapaz - ela exclamou. - Desce daí e vem abraçar-me, senão vou acordar o bogatyr Svyatogor para reclamar de tua descortesia para comigo.

Não tendo como discutir com a mulher, Ilya deixou-se escorregar da árvore, como ela ordenara, e tratou de satisfazê-la. Depois de algum tempo, a bela mulher heróica pegou Ilya e Burushko e os enfiou no enorme bolso do marido, ao qual despertou de seu sono profundo. Então Svyatogor repôs a mulher no barril de cristal, fechou-o com a chave dourada, montou em seu corcel e cavalgou para as Montanhas Sagradas.

Dentro em pouco, o bom corcel de Svyatogor começou a tropeçar, e o bogatyr pôs-se a fustigar-lhe os flancos com um chicote de seda:

- Ó comida de lobos, saco de capim! Ó seu cão, por que mancas? Não podes andar ou não queres carregar-me?

Então disse o cavalo em fala humana:

- Até aqui eu levava o bogatyr e sua mulher heróica; mas agora carrego a mulher heróica e dois bogatyrs, e ainda por cima o corcel do segundo. Será então de admirar que eu tropece?

Ao que o bogatyr Svyatogor foi tirar Ilya, com Burushko e tudo, do fundo do bolso e perguntou-lhe quem era e como viera parar ali dentro. Ilya contou-lhe toda a verdade. Ouvindo a história, Svyatogor entendeu como sua bela mulher o traíra e, baixando do ombro o barril, pegou-a na mão, sacou a espada afiada e cortou-lhe a cabeça turbulenta. Mas com Ilya foi amistoso: trocou cruzes com ele, com isso fazendo-o seu irmão por juramento. Durante a conversa, Ilya, que ainda não sabia quem era o gigante, falou:

- Eu teria grande prazer em encontrar Svyatogor, aquele grande bogatyr. Mas ouvi dizer que ele não caminha mais sobre a Mãe Terra, nem freqüenta a companhia dos demais bogatvrs.

- Aquele de quem falas sou eu mesmo - respondeu Svyatogor. - Ficaria alegre em juntar-me aos outros, mas a Mãe Terra não pode ou não quer suster-me.

***

Em outros tempos, Svyatogor carregava orgulhosamente sua força enorme como um fardo pesado. Gabou-se, uma vez, em seu atrevimento:

- Se eu encontrasse um anel preso ao chão, seria capaz de erguer todo o peso da Terra com minhas mãos.

Um dia, encontrou à sua frente, quando cavalgava pela estepe, uma pequena sacola caída no meio do caminho. Tocou-a com o bastão: ela nem mexeu.

Tocou-a com o dedo: não saiu do lugar. Sem desmontar, segurou com a mão a alça da sacola: não conseguiu erguê-la.

- Há muitos anos percorro o mundo, mas nunca encontrei tal milagre: uma sacolinha que não se mexe quando a toco, não sai do lugar, nem pode ser levantada!

Desceu então do cavalo, agarrou a alça com as duas mãos, ergueu a sacola à altura dos joelhos. E ele mesmo afundou na terra até os joelhos. Pelo rosto não lhe escorriam lágrimas, mas sim gotas de sangue. Estava preso, não conseguia se levantar, com as pernas enterradas.

- É certo que a morte veio até mim. Eia, meu fiel corcel heróico! Vem agora salvar teu senhor.

Agarrou-se à brida dourada, ao estribo de prata. O cavalo então se retesou e puxou Svyatgor para fora da terra úmida. A morte o poupara - dessa vez!

***

Svyatogor havia de fato encontrado o peso da Mãe Terra naquela ocasião, mas Deus o punira por seu orgulho. E agora, continuando a encarar Ilya, concluiu:

- Não posso mais vagar como antes pela Santa Rússia, exceto apenas sobre os altos picos e precipícios abruptos. Vamos pois andar entre os rochedos, e tu me acompanharás às Montanhas Sagradas, onde habito.

Assim, eles cavalgaram juntos, cada qual em seu corcel, divertindo-se. E Svyatogor foi ensinando a Ilya os costumes e tradições dos bogatyr. No caminho, Svyatogor disse a Ilya:

- Quando chegarmos à minha morada e te apresentar a meu pai, esquenta um pedaço de ferro; e não lhe dês, de jeito nenhum, tua mão.

Ao chegarem às Montanhas Sagradas, ao palácio de pedra branca, o idoso pai de Svyatogor exclamou:

- Ah, meu querido filho! Foste muito longe? - Estive na Santa Rússia, pai.

- O que viste e ouviste por lá?

Nada vi nem ouvi na Santa Rússia, mas trouxe de lá comigo um bogatyr.

O velho, que era cego, pediu:

Traze para cá o bogatyr russo, para que eu possa saudá-lo.

Nesse ínterim, Ilya havia aquecido o pedaço de ferro e, quando veio cumprimentar o velho, deu-lhe, em vez da mão, o ferro. E quando ele o apertou em suas mãos poderosas, disse:

Ardentes e vigorosas são tuas mãos, Ilya! És um guerreiro potentíssimo!

Mais tarde, enquanto Svyatogor e seu irmão caçula Ilya viajavam através das Montanhas Sagradas, encontraram um grande ataúde no caminho, e sobre o ataúde havia uma inscrição: "Este ataúde é do tamanho justo daquele que está destinado a jazer nele. " Então Ilya experimentou deitar-se dentro, mas, para ele, o caixão era grande demais, tanto em comprimento quanto em largura. Mas, quando Svyatogor estendeu-se, serviu-lhe na medida exata. Então o bogatyr falou estas palavras:

- O ataúde estava destinado a mim; toma agora a tampa, Ilya, e cobre-me.

- Não pegarei a tampa, irmão mais velho, nem te cobrirei. Vê bem, não é brincadeira o que fazes, preparando-te para te sepultares!

O próprio bogatyr então tomou da tampa e cobriu com ela o ataúde. Mas quando tentou erguê-la de volta, não conseguiu, embora se esforçasse e empurrasse vigorosamente. Falou a Ilya:

- Ah, irmão mais moço! Está claro que meu fado recaiu sobre mim. Não posso levantar a tampa.

Então Ilya lutou, mas também não pôde. Disse o bogatyr Svyatogor:

- Pega minha grande espada de batalha e golpeia contra a tampa. Mas a força de Ilya não bastou para erguer a espada, e Svyatogor acrescentou:

- Inclina-te, encosta o rosto junto à fresta do ataúde, para que eu sopre sobre ti meu alento heróico.

Quando Ilya assim fez, sentiu uma grande força por dentro, três vezes a que possuía antes. Alçou a grande espada de combate e acutilou contra a tampa. Fagulhas voavam a cada golpe, mas, nos lugares onde a grande lâmina feria, foram aparecendo cintas de ferro envolvendo o ataúde e prendendo ainda mais a tampa. Svyatogor insistiu:

- Eu sufoco, irmãozinho! Tenta mais um golpe na tampa com minha longa espada.

E Ilya golpeou novamente, e mais uma cinta apareceu. Mais uma vez fa­ lou Svyatogor:

- Eu morro, ó irmãozinho! Abaixa-te de novo. Ainda uma vez respirarei sobre ti, e desta vez te passarei toda a minha vasta força.

- Minha força, que os homens santos me deram e acabaste de aumentar, já é bastante, ó irmão; se mais tivesse, a Terra não me suportaria.

- Fizeste bem, irmão menor, pois se obedecesses a meu último apelo, eu teria soprado sobre ti o hálito da morte, e jazerias morto a meu lado. Mas agora adeus! Apossa-te de minha grande espada de batalha, mas ata meu bom corcel heróico ao meu ataúde; ninguém, salvo Svyatogor, pode possuir este cavalo.

Então um sopro de morte exalou-se pela fresta. Ilya se despediu do bogatyr Svyatogor, amarrou o bom corcel heroico do irmão ao ataúde, cingiu a grande espada dele à sua cintura. Forte como nunca, o bogatyr Ilya Muromets seguiu para a famosa Kiev do príncipe Vladimir, aquele sol glorioso entre os soberanos da Santa Rússia. E as lágrimas ardentes de Svyatogor escorreram pelo ataúde perpetuamente.


Nota

O lendário Ilya (Иля), da cidade de Murom, figura em diversos Bylinas, contos folclóricos épicos da antiga Rússia. É um bogatyr, um herói, por muitas razões o mais ilustre dentre os que se reuniam em torno do príncipe Vladimir, em sua corte na cidade de Kiev.

Ilya participou de muitas aventuras. Meteu-se com a mulher do bogatyr Svyatogor, na verdade forçado por ela, numa cena estranhamente parecida com a do conto de abertura das Mil e Uma Noites. Enfrentou Solovei Razboinik (o bandido Rouxinol), bateu-se contra o próprio filho, dizimou hordas tártaras. Já bem idoso, o "Velho Cossaco", como era chamado, foi capaz de percorrer três caminhos, desprezando o tríplice aviso de perigo colocado na encruzilha­da - e nem foi morto no primeiro, nem se casou no segundo, nem ficou rico no terceiro...

O relato contido neste livro mostra como Ilya iniciou sua carreira de bogatyr. Por estranho que pareça, nasceu inválido e só ganhou sua força heróica aos 33 anos. A força viria de Deus, mas deveria manter-se dentro de um limite moderado, de modo a não perturbar a Mãe Terra Úmida ("Mati-Syra-Zemlia"), lembrança persistente da cultura ancestral.

Sabe-se realmente que os eslavos ancestrais adoravam essa personificação da terra cultivável como uma divindade especial, um ser supremo, consciente e justo. Podia predizer o futuro a quem soubesse decifrar sua linguagem misteriosa. Em algumas regiões da Rússia, o camponês escavava a terra com um bastão, ou mesmo com os dedos, e encostava a orelha ao chão para escutar o que a Terra lhe dizia. Se ouvia um som lembrando o ruído de um trenó bem carregado deslizando na neve, a colheita seria boa; se, ao contrário, fosse o ruído de um trenó vazio, a colheita seria ruim. Durante séculos, os camponeses eslavos decidiam litígios sobre propriedade fundiária invocando o testemunho da Terra: se alguém jurava pondo sobre a cabeça um torrão de terra, seu juramento era considerado incontestável.

Só era bem-sucedido o homem que procurava agradar à Mãe Terra Úmida. O bogatyr mais querido por ela, e por isso invencível, era Mikula Selyaninovich, filho de lavradores e lavrador prodigioso ele próprio. Ao contrário, Svyatogor, o bogatyr gigante de força desmedida, caíra em desgraça perante ela. E ainda assim teve a ousadia de afirmar: "- Se eu encontrasse um anel preso ao chão, seria capaz de erguer todo o peso da Terra com minhas mãos." Como se verá [se viu] no texto a seguir [acima], não tardaria a pagar pelo orgulho arrogante, e nem o bravo Ilya o pôde salvar.

E foi a arrogância, aliás, que causou a perda final dos bogatyrs. Conta-se que, depois de um combate vitorioso, um deles teve a imprudência de dizer em seu orgulho: "- Se tivéssemos pela frente uma força do além, nós a venceríamos da mesma forma!" De imediato, apareceram dois guerreiros desconhecidos que desafiaram o grupo. Um bogatyr os golpeou com seu gládio e partiu cada um em dois, mas, no lugar dos dois guerreiros, quatro novos apareceram, todos vivos. Os bogatyrs feriram os quatro, e eles se converteram em oito, e assim sucessivamente, num processo sem fim. Por três dias, três horas, três minutos, os bogatyrs se bateram contra a força do além, que se multiplicava sempre. Os poderosos bogatyrs tiveram medo. Correram para as montanhas rochosas, para as cavernas sombrias. Mas cada bogatyr que ali chegava se convertia em pedra. Desde essa época, não há mais bogatyrs na santa Rússia.

A composição de bylinas ocorreu na Rússia do século X ao XIX mas sua divulgação oral por cantores ambulantes prosseguiu até a era moderna. Foi desses cantores que os folcloristas puderam compilá-los, em diferentes versões, a partir de meados do século XIX.


Fontes: FURTADO,Antônio L.Ilya Muromets (Rússia).in:__________.Heróis do Ocidente e do Oriente:Mitos e Lendas.Rio de Janeiro/RJ:Nova Era,2006.Cap. 8.p.169-180 , mythology&culture