Hermes / Mercúrio- Um deus de vários atributos

21/08/2018

Hermes era espetacular. O filho de Maia, apesar de representar os ladrões e furtos, foi um deus extremamente habilidoso, inteligente, astuto e, desde pequeno, chamou a atenção de seu pai Zeus. Consequentemente, foram entregues a ele inúmeras responsabilidades importantes do reino, como a de mensageiro dos deuses e o posto de um dos doze deuses supremos do Olimpo.

Deus dos rebanhos, dos viajantes, das academias e atletismo, da escrita, diplomacia e tudo aquilo relacionado aos céus - astrologia e astronomia - Hermes já nasceu expondo seu grande dom da astúcia, um verdadeiro trickster da mitologia grega.

Ainda no berço, o bebê Hermes conseguiu escapar para protagonizar duas das mais conhecidas histórias a seu respeito: a produção da primeira lira e, logo após, o furto do rebanho de Apolo.

A história da lira é "infantil" como a história de uma criança ao ganhar seu primeiro animal de estimação. Hermes, logo após decidir roubar o rebanho de Apolo, estava de partida quando deu de encontro com um lindo jabuti, o qual roubou sua atenção e admiração. O pobre animal estava se alimentando, quando caiu do portão e morreu.

O pequeno deus, no entanto, encarou o ocorrido como um ótimo presságio de boa sorte, no qual designou que vivo, o jabuti serviria como um feitiço contra bruxarias e, se morto, deveria cantar as canções mais bonitas.

Dessa forma, Hermes levou seu novo "brinquedo" para dentro de casa, retirou seus órgãos, até restar apenas com sua carapaça. Usando tiras de couro de boi e tripas de ovelha, o menino criou um instrumento que soava maravilhosamente bem, próprio de uma divindade.

A primeira lira de Hermes despertou no deus grandes canções aleatórias sobre sua geração, histórias, festivais e seus pais. No entanto, apesar de sua mente estar ali, seu coração estava direcionado para outros assuntos, fazendo o deus guardar sua lira consigo e partir.

Sua vontade de roubar o gado de Apolo o fez viajar até Piéria, onde o rebanho divino pastava tranquilamente. Hermes, apesar de recém-nascido, conseguiu levar cinquenta animais de uma vez e conduziu-os por um caminho arenoso, porém, com uma inimaginável capacidade para não ser rastreado: o divino menino inverteu a posição de cada casco dos animais, de frente para trás, fazendo qualquer um pensar que o rebanho havia caminhado na direção oposta. Ele, ao contrário, manteve suas sandálias na direção correta e partiu com os cinquenta animais.

Pelo caminho, Hermes chegou a ser visto por um velho senhor em seu vinhedo, no entanto, prometeu ao homem grande abundância de vinho na sua próxima colheita, caso ele obedecesse e esquecesse daquilo visto e ouvido naquele dia.

Assim, o deus conduziu o rebanho até o rio Alfeios, onde o alimentou e decidiu aprender a arte do fogo. Tão inteligente foi, que o recém-nascido Hermes conseguiu gerar faíscas a partir de um graveto, até tornar-se fogo, alimentando as chamas com mais troncos secos e dando vida a uma grande fogueira. Por esse feito, a criação do fogo é concedida a ele, quem sacrificou duas das cinquenta vacas do rebanho para se alimentar.

Ao final deste conto, o pequeno Hermes voltou ao seu berço tranquilo e absolutamente isento do sentimento de culpa, mas Apolo descobriu tudo através de um oráculo e ficou furioso.

O deus quis culpar Hermes e puni-lo, quando o menino inesperadamente estendeu seus braços no berço e ofereceu-lhe uma troca: sua lira pelo rebanho roubado.

Encantado pelo som, ele aceitou o trato e nomeou Hermes o protetor dos rebanhos, quem aceitou com grande felicidade e tornou-se muito próximo e amigo de seu meio-irmão Apolo.

De todas as características de Hermes, a principal era servir de arauto aos deuses. De fato, ele era extremamente habilidoso na arte do discurso, sendo empregado principalmente como mensageiro.

Ele também era o deus da prudência e habilidade nas relações sociais, combinado à atos de fraude e sua inclinação para o roubo, ambos feitos com muita destreza, graça e maestria.

Tão expressiva foi sua atuação como mensageiro que até os sonhos enviados por Zeus aos mortais, em suas noites de sono, eram entregues por Hermes, sendo considerado o deus responsável por enviar ou evitar noites tranquilas aos homens.

Hermes serviu como um grande "faz-tudo" de Zeus, salvando, assistindo e conduzindo diversos outros deuses em suas aventuras. Ele é dito como inventor dos números, música, alfabeto, da arte das lutas e ginástica, medidas e pesos, entre muitas outras coisas.

Além disso, uma outra característica e responsabilidade atribuída a ele foi o de condutor das almas dos mortos do mundo inferior para o submundo.

Apesar de ser o patrono dos ladrões, ele foi um deus justo, protegendo os viajantes, as estradas e punindo os homens que se negavam a dar informações para aqueles em apuros ou perdidos em suas viagens.

Carismático e amigável entre os homens, Hermes foi o grande promotor das relações sociais na mitologia grega

Fontes: Mitologia Grega br.