Hathor – Deusa do destino e dos prazeres

22/06/2018

Cultuada por mais de 3000 anos, Hathor é uma das Deusas mais importantes do Egito. Devido à extensão de seu culto (tanto territorial quanto temporal) é comum aparecerem variações dentro de seu mito, por vezes é filha do Sol e por vezes é sua Mãe, é leoa e vaca, é figueira e tamareira.

A Hathor mais comumente retratada é aquela que possui uma cabeça de vaca com chifres e grandes asas saindo de seus ombros, similarmente à Ísis. Nessa forma ela também é responsável por dar à luz ao universo. Os egípcios viam o céu como a grande barriga de uma vaca e o sol era a luz que passava através do vão de seus chifres. Devido a essa associação, por vezes ela era associada com a fertilidade da terra e do povo.

Muitos textos se referem a ela como "a dourada", aquela que cria e fortalece os laços afetivos; uma definição apropriada pois essa Deusa era patrona dos prazeres do corpo, incluindo música, arte, cosméticos, dança e o ato sexual.

Hathor governava tanto o nascimento quanto a morte e, nessa forma, era retratada como sete Deusas Hathor, responsáveis por predizer o destino inescapável de cada recém-nascido. Como governanta do submundo era chamada de Rainha do Oeste, o ponto cardeal associado com a morte. Ela acompanhava seus devotos em sua jornada final, então rituais à sua devoção eram parte de cada funeral comumente.

Essa Deusa foi muito amada no antigo Egito mas possui uma história de origem um tanto conturbada. No início de sua existência era chamada de "Olho do Sol" ou "Olho de Ra" e nessa forma, era uma Deusa de destruição. De acordo com a lenda, as pessoas começaram a criticar o Deus Sol em seu mandato como Faraó, e para resolver essa situação ele resolveu enviar seu olho para lidar com o povoado. O olho era a Deusa Sekhmet, que começou a matar centenas de pessoas e beber seu sangue. Quando Ra pediu que parasse, ela simplesmente o ignorou. O Deus então teve a ideia de colorir cerveja de vermelho (para lembrar sangue) e despejar pelos campos de batalha.


Sekhmet ficou tão bêbada com a cerveja que dormiu por três dias e foi purificada nesse processo, perdendo o gosto por sangue e carne humana. Ao acordar, era uma Deusa que pregava amor e felicidade, e então foi rebatizada de Hathor por Ra.

Grande Deusa

Originalmente Hathor era uma personificação da Via Láctea, cuja criação foi considerada ser a partir do leite que fluiu das tetas de uma vaca divina. Com a passagem do tempo essa Deusa absorveu os atributos de várias outras Deusas e acabou aproximando-se de Ísis, que em determinado momento usurpou sua posição como a mais poderosa e popular Deusa do Egito antigo. Mesmo perdendo espaço para Ísis, Hathor continuou sendo popular na história egípcia, mais festivais foram dedicados a ela e mais crianças receberam seu nome do que o de qualquer outro Deus ou Deusa daquele panteão.


Fontes: Santuário Lunar