Enlil - Deus dos Ventos e Ponte Entre o Céu e a Terra

24/10/2019

Enlil (mitologia mesopotâmica), acima de tudo, era considerado o conector entre o Céu e a Terra, mas além disso ele er o deus dos ventos e do ar, por isso era também o responsável pelo distanciamento entre o Céu e a Terra. Segundo os mitos, assim que nasceu, ele se colocou entre seu pai An (Céu) e sua mãe Antu/Ki (Terra), distanciando-os para sempre. Tal evento provocou um coito interrompido e uma má gestação que ocasionou no nascimento de deuses híbridos, os Utukku.

Os mitos principais de Enlil, estão relacionados com suas disputas com os meio-irmãos Enki e Ereshikigal, o casamento com Ninlil. Quando Enlil ainda era um deus jovem, se apaixonou por Ninlil, mas violentou-a antes do casamento. Ninlil, foi até a presença dos grande Anunnaki e pediu justiça. Os 12 grandes deuses decidiram pela morte de Enlil, então ele foi expulso de Dilmun (a casa dos deuses), para habitar com Ereshkigal em Kur-Nu-Gia "A Terra do Não-Retorno".

Porém Ninlil o amava e decidiu segui-lo até ao submundo. A chegar diante dos três primeiros portões do reino de Ereshkigal, encontrou com seus guardiões, que na verdade eram disfarces de Enlil. Sob esses disfarces Enlil convenceu Ninlil de que só poderia passar se lhe cedesse favores amorosos. Ninlil logo percebeu quem era e assim o fez, sendo fecundada e gerando Ashnan, Ninazu, Nergal, Ninurta e Nanna.

Durante o período em que esteve nos domínios de Ereshkigal, teve de se submeter a ela para retornar ao reino dos vivos e assim gerou com ela Namtar, o vizir da rainha infernal.

A tradução do seu nome em sumério é precisamente «Senhor do Vento» («EN» = Senhor, Lorde; «LIL» = Vento, Ar); uma interpretação "por sentido" do nome seria «Senhor do Comando».

Era particularmente venerado na cidade de Nippur; no entanto, embora esta fosse a cidade especialmente consagrada ao seu culto (acreditando-se que era no templo dessa cidade que o deus vivia), esta era uma divindade que tinha um caráter nacional em toda a Suméria.

De resto, durante um período anterior a 3000 a.e.c., Nippur tornou-se um centro político muito importante. Inscrições encontradas neste lugar nas escavações realizadas entre 1888 e 1900 por Messrs Peters e Haynes, sobre a tutela da Universidade da Pensilvânia, mostraram que Enlil era o líder de um extenso e populoso panteão de deuses e deusas.

Estas inscrições encontradas referem-se a ele como Rei das Terras, Rei dos Céus e da Terra ou Pai dos Deuses; este último título, de resto, era também atribuído a Enki, deus que, em dada altura da história suméria, acabou por ser suplantado, em termos de culto, por Enlil.

O seu templo ou "pavilhão" em Nippur tinha o nome de E-kur («EK» = casa e «UR» = montanha, ou seja, «a casa da montanha»). Esta palavra continuou a ser usada por outras civilizações posteriores para designar templo em geral. Existe inclusivamente quem queira associar este templo à torre de Babel, uma vez que esta sugere uma construção enorme semelhante a uma montanha.

Enlil fazia parte dos Anunnaki (an.un.na.ki - aqueles que do céu à terra vieram) Enlil era filho do deus An (céu) e da deusa Antu (terra). A terra estava sob o comando de Enki, que teria sido o primeiro da família dos Anunnaki a chegar a este lugar.

Enlil é muito associado a Yahweh - o Deus dos Hebreus. Existem duas teorias em relação à criação na mitologia Suméria:

a) Enlil criou o Jardim do Éden e Enki criou o Homem;

b) Enlil Criou o Jardim do Éden e o Homem. Enki aperfeiçoou o homem.

Qualquer uma das duas hipóteses faz sentido porque segundo a bíblia a criação do Éden e do Homem foi feita por Elohim que no original Hebraico significa - Deuses (no plural).

A bíblia refere em Gênesis: Façamos o homem à NOSSA imagem, conforme a NOSSA semelhança. (sugere uma pluralidade divina).

Os relatos sumérios indicam que foi Enlil que resolveu destruir os homens com um dilúvio e foi Enki quem lhe deu os planos para a construção da Arca. Segundo a Bíblia o dilúvio também foi uma decisão de Yahweh.

Segundo a mitologia Suméria foi Enki quem aperfeiçoou a criação do Homem. Segundo a bíblia foi a serpente quem deu a provar do Fruto Proibido" a Eva. Ou seja com muitos defendem, tirou-lhe a inocência e ela concebeu Caim (que era filho do maligno - I João 3:12).

Um dos símbolos da casa de Enki era na realidade a serpente. Os descendentes de Abraão seguiram Yahweh / Enlil e os egípcios por outro lado eram os protegidos da Serpente - / Enki (Yahweh referiu em um dos seus mandamentos ...que te tirei do Egito, da casa da servidão... (Exodo 20)

Enlil sempre foi um deus ciumento (zeloso) mas preocupado com o seu comando. Tal como Yahweh, o Deus Zeloso que cuidou do seu povo e o protegeu e o ajudou nas batalhas.

Associado a muitos papéis diferentes em toda a Mesopotamia, Enki é mais conhecido como um deus trapaceiro que criou a vida na Terra. Era originalmente senhor da água, e vivia com sua esposa, a deusa da ferra Ninhursaga, em Dimun. O centro de culto de Enki era Eridu, onde atualmente está o Grande Deserto Salgado ao sul do Irã. O povo de Eridu acreditava que Enki lhe havia dado dádivas como a felicidade, o respeito, a negociação e famílias, e que as outras cidades e seus deuses tentariam roubar esse precioso tesouro. Ele era também o deus da sabedoria e da magia, e dono dos poderes sagrados que controlavam a ordem no mundo, conhecidos como me.

O deus do ai Enlil era uma das divindades mais importantes nas mitologias suméria, babilônica e hitita. Separava o céu da terra e era pai de vários outros deuses. Acredita-se que Nippur, a cidade de Enlil, existia antes da criação do homem, sendo chamada "a ligação entre o céu e a Ferra". De Enlil provinham a civilização e a agricultura. Um longo poema narra como ele inventou a picareta, outro como ele criou o deus do gado Lahar e a deusa do grão, Ashnan, para alimentar e vestir os deuses. Estes, então, criaram os homens para lazer uso total de leis dádivas. Enlil era casado com Ninlil (ás vezes também chamada Sud ou Mullissu), uma deusa-mãe. O poema "Enlil e Ninlil "relata como ele a violenta e é banido para o Mundo Subterrâneo. Mas ela o segue até lá, e, disfarçados, unem-se mais três vezes.

O centro de adoração a Enlil era o templo de E-kur ("Casa da Montanha"), em Nippur, perto das montanhas Zagros, no atual Iraque. Às vezes, Enlil é chamado de "a grande montanha". Diz-se que as cidades novas surgiam apenas com a benção de Enlil.

Enlil, que mais tarde será denominado Bei (Senhor) pelos Babilónios, reina sobre a terra e tem como armas principais o amaru (o dilúvio) e o furacão. O Cavalgador das Nuvens» enfrenta um terrível dragão numa luta cósmica, que faz lembrar o combate entre Zeus e Tifão. De resto, tem vários traços em comum com Zeus, bem como com Javé, o deus dos Hebreus, que também provocou um dilúvio. Enlil seduz uma jovem, Ninlil, a dama do Vento. Castigado pelos deuses, é enviado para os Infernos. Ninlil segue o amante e, no reino subterrâneo, dá à luz Sin. Com ela, engendrará também Nergal, soberano dos infernos. Com o nome de Baal, adquirirá entre os Fenícios um carácter muito mais temível, como divindade aterradora que exige incessantes sacrifícios humanos. A sua companheira Ninlil ou Ninursag amamenta aqueles que Enlil nomeou como reis da Terra.

Fontes: WILKINSON, Philip & PHILIP, Neil, Enlil. in: WILKINSON, Philip, PHILIP, Neil, Guia Ilustrado Zahar de Mitologia. Rio de Janeiro/RJ: Zahar, 2008. Cap. VIII, p. 274, templo de apolo,