As Versões Originais (e macabras) dos Contos de Fadas - Parte 2

15/12/2019

Como muitos já sabem, os contos de fadas contados no passado eram muito diferentes das suas versões atuais, e isso aconteceu porque empresas como a Disney decidiram reescrever o desfecho de vários deles, o que trouxe os finais "felizes para sempre".

Cinderella 

Na versão original, para seus pés caberem no sapatinho de cristal, uma irmã malvada corta os dedos do pé, e a outra corta o próprio calcanhar. Mas o príncipe é avisado de que o sapatinho está repleto de sangue, e não aceita nenhuma das duas como esposa. Quando elas tentam comparecer à festa de casamento entre Cinderela e o príncipe, as irmãs têm os olhos arrancados e comidos pelos pássaros. Mais tarde, Cinderela quebra o pescoço da Madrasta Má com a tampa de um baú, matando a vilã.

A Branca de Neve 

Na versão dos irmãos Grimm, a princesa é uma criança de sete anos que devido a sua beleza, a rainha decide mandar o caçador mata-la. E como prova do assassinato, a rainha exige que o assassino retorne com os pulmões e o fígado da menina.

Transtornado, o caçador finge matar Branca de Neve, cortando na verdade um javali, cujas tripas serviram de prova de seu trabalho. A Rainha acredita e, comemorativamente, come os órgãos da menina.

Depois que a mentira do caçador é descoberta, começa a fase do conto em que a Rainha Má se dedica em enganar Branca de Neve. Na versão dos Grimm, isso ocorre três vezes: na primeira, ela faz a garota experimentar um espartilho que, de tão apertado, a faz desmaiar; os anões a salvam. Na segunda, ela vende à garota um pente envenenado, que a faz dormir. Na terceira, aparece a famosa maçã venenosa.

Após o envenenamento, ela desmaia e é considerada morta. Em seguida, é colocada num caixão de vidro. É neste momento em que aparece o príncipe, insistindo em levar o cadáver para lado de fora da casa.

Mesmo hesitantes por não entenderem o que o príncipe queria com um corpo morto, os anões concordam e começam a leva-la para fora, mas logo tropeçam e fazem a princesa se movimentar no caixão. Isso faz com que ela cuspa o pedaço de maçã entalado na garganta e volte à vida. Sem beijo nenhum.

Mesmo assim, da mesma maneira que ocorre no filme, Branca de Neve se apaixona pelo príncipe e eles se casam. Mesmo que a moça tivesse sete anos, pois o príncipe nessa versão é um pedófilo. Além disso, no casório, eles encontram a Rainha Má, que decidiu comparecer.

Então, ali mesmo na cerimônia, os anões decidem punir a Rainha, de maneira sórdida: fazem-na dançar até a morte. Nas palavras originais dos Grimm: "Eles colocaram um par de sapatos de ferro em brasas. Eles foram trazidos com pinças e colocados diante dela. Ela foi forçada a entrar nos sapatos quentes e dançar até cair morta devido a perda de sangue e queimaduras".

João e Maria

Pesquisadores acreditam que, muito antes dos Irmãos Grimm, este conto surgiu na França e se chamava As Crianças Perdidas. Ele contava a história de Jacques e Toinon, um casal que não consegue mais sustentar sua família e decide abandonar seus dois filhos, Jean com 12 anos e Jeanette com 8.

Certo dia, a mãe das crianças os leva para passear no bosque quando, de repente, consegue os despistar e vai embora aos prantos. Sozinhos, Jean e Jeanette decidem subir no topo de uma árvore para se localizarem e de lá avisam duas casas: Uma com telhado branco e outra com telhado vermelho. Juntos, os dois decidem que deveriam ir até a casa com telhado vermelho sem muitas razões aparentes. Ao chegarem lá, descobrem que a moradora da casa é uma senhora de idade muito gentil e simpática que os recebe de bom grado, sua única exigência é que não façam muito barulho, já que se seu marido descobrisse que haviam crianças em casa, as devoraria. O grande problema é que, na verdade, a senhora era esposa do Demônio! Como as crianças eram cristãs e rezavam constantemente por seus pais, o monstro logo sentiu seus cheiros e fez de Jean um prisioneiro.

Como as duas crianças estavam muito magras, ele começou um processo de engorde para, enfim, poder devorar Jean e depois Jeanette. Era a própria irmã que deveria todos os dias alimentar seu irmão aprisionado. Depois de algumas semanas, o Demônio começou a fazer testes para descobrir se Jean já estava no ponto, porém muito esperta, Jeannete cortou o rabo de um rato e entregou ao seu irmão para que utilizasse como se fosse seu próprio dedo. Os dois espertos conseguiram enganar o tinhoso por duas vezes, porém a farsa foi descoberta na terceira e, enfurecido, o Demônio decidiu que construiria uma guilhotina para arrancar a cabeça de Jean. Desesperados com a morte se aproximando, Jean e Jeanette se unem mais uma vez para tentar se safar desta terrível situação. Quando a guilhotina fica finalmente pronta, o Coisa Ruim decide que irá dar um passeio, então os irmãos chamam a senhora que os acolheu e pergunta como aquele instrumento funcionaria.

Assim, a mulher coloca sua própria cabeça na posição e Jean a amarra enquanto Jeanette Libera a lâmina e corta o pescoço da idosa. Então, os dois fogem com a carroça do Demônio que está repleta de ouro e prata, mas logo ele descobre sobre a fuga e vai atrás das crianças com sangue nos olhos. Então, uma lavadeira que morava próxima deles disse que havia visto os dois cruzarem um rio e oferece ajuda para o demônio passar por ali também. Ela corta seus longos cabelos e estende por todo o trajeto do rio, porem quando o monstro chega ao meio da água ela puxa sua ponte improvisada com toda a força, fazendo com que o Demônio caísse e morresse afogado. Assim, Jean e Jeanette conseguem voltar para a casa e dão a seus pais toda a fortuna que conseguiram resgatar, podendo viver felizes para sempre.

Pinóquio

Esta conhecida história foi escrita por Carlo Collodi, publicada pelo jornal infantil italiano Giornale Per I Bambini e começa quando Gepeto, carpinteiro conhecido na cidade, ganha de presente de um antigo amigo um pedaço de madeira falante. Ambicioso, ele decidiu que faria uma marionete mágica e rodaria o mundo ganhando centenas de euros a cada espetáculo. Primeiro ele esculpiu os olhos e pode ver que se mexiam, o observando curiosamente, depois desenhou um nariz que não parava de crescer uma boca que imediatamente formou um sorriso debochado cheio de dentes. Por último, Gepeto esculpiu seus braços e pernas, porém assim que levantou, Pinóquio fugiu porta a fora, forçando seu criador a correr desesperadamente atrás dele. Como a cidade era pequena, rapidamente todos puderam ver a grande bagunça que o boneco falante havia feito e, acreditando que ele era apenas um brinquedo indefeso, levaram Gepeto preso. Após o ocorrido, Pinóquio decidiu voltar para casa e lá encontrou um Grilo Falante que começou a lhe colocar juízo, disse que deveria estudar e ser alguém, deixar de ser teimoso ou acabaria se tornando um burro, assim tornando aquilo uma maldição.

Furioso, o boneco pegou um martelo extremamente pesado e jogou no Grilo, o assassinando imediatamente. Depois disso lá ele ficou vivendo por algum tempo, quieto, até que Gepeto foi solto e voltou para seu lar. Ao chegar lá, encontrou Pinóquio arrependido pelos seus erros e até desejando frequentar a escola regularmente. Gepeto concordou, lhe fez uma bela roupa, deu algum dinheiro e o mandou a escola no dia seguinte. Mas é claro que o travesso boneco não faria o que prometeu, na verdade ele preferiu assistir a um teatro de marionetes, porém lá ele logo foi reconhecido pelos outros bonecos e seus donos que, imediatamente, viram nele a chance de sucesso. Pinóquio percebeu o que estava acontecendo ali e saiu correndo imediatamente até que acabou encontrando um gato e uma raposa que moravam próximos a sua casa e sabiam que o boneco carregava dinheiro consigo. Eles decidiram que iriam rouba-lo, então Pinóquio mais uma vez teve que fugir desesperadamente e acabou encontrando outro grupo de interesseiros que acabou o sequestrando, após tirar tudo do boneco, o grupo o assassinou, enforcando-o em uma árvore..

Na época, o público do jornal achou este final muito pesado, exigindo que fosse modificado na próxima edição, então Collodi criou uma Fada Azul que observava a jornada de Pinóquio desde sua criação. Após sua morte, a Fada pediu que o corpo do boneco fosse trazido até ela e lhe trouxe de volta a vida, mas infelizmente Pinóquio não aprendeu nada com tudo o que aconteceu. Na volta para casa, a marionete mais uma vez encontrou o gato e a raposa que desta vez conseguiram lhe roubar. Depois disso, ele foi pego fazendo besteira diversas vezes e era sempre levado para a escola, de onde rapidamente ele fugia e voltava a fazer besteiras. Isto até que, finalmente, a maldição do Grilo Falante se concretizou e Pinóquio tornou-se, literalmente, um burro. Agora, não confundido mais com uma criança, este burro peculiar voltou a fazer suas besteiras até que foi pego e vendido para um musico que o matou e utilizou sua pele para fazer um tambor, mas seu espírito continuou vivo. Ele começou a procurar a Fada Azul para lhe pedir ajuda, porém descobriu que ela infelizmente havia morrido tragicamente, quem lhe contou isso foi uma pomba branca que o levou em direção ao mar onde seu pai o procurava. Durante sua busca, ele descobriu que Gepeto havia sido devorado por um monstro marinho, então ele enfrentou o monstro, salvou seu criador e juntos eles foram para casa. Naquela noite Pinóquio sonhou com a falecida Fada Azul, ela lhe dizia que o perdoava pois ele havia provado que, no fundo, tinha um bom coração. Por isso, merecia se tornar um menino de verdade. Quando o boneco acordou, não era mais de madeira... Tinha pele e ossos.

Claramente esta história acima contada não tem nada de infantil, porém existem simbolismos secretos por trás dela. O autor Carlo Collodi não apenas escrevia contos infantis como também atuava na política e em grupos maçônicos! Em As Aventuras de Pinóquio podemos ver claramente que a criação do boneco é um simbolismo da maçonaria, deste ponto de vista o escultor Gepeto é um Demiurgo, ou seja, um criador que constrói seres imperfeitos para serem enviados a vida material. Na animação de Disney as coisas são ainda mais enfáticas pois Gepeto pede a uma grande estrela que Pinóquio ganhe a vida, vale lembrar que a estrela é um importante simbolo de iluminação maçônico... 

Parte 1