Adapa - O Primeiro dos Sábios

24/10/2019

O herói Adapa, primeiro dos sábios, desempenha na mitologia mesopotâmica um papel semelhante ao de Prometeu entre os Gregos. Provido de uma orelha gigante, é capaz de ouvir a mais pequena queixa dos humanos. A sua missão é ensinar aos homens as diferentes técnicas que lhes serão indispensáveis para sobreviverem. Mas, certo dia em que estava no rio, a sua barca afunda-se e ele mergulha na «casa dos peixes»; furioso, quebra as asas do Vento do Sul, causa da sua humilhação. Durante sete dias, o Vento do Sul não sopra em direção da terra.

An chama então Adapa. Antes de iniciar a viagem, Enki aconselha-o a vestir roupas de luto e avisa-o de que não deve comer nenhum dos alimentos nem beber a água que An lhe oferecerá, pois são a água da morte e o pão da morte.

Adapa sobe ao Céu e chega à entrada do palácio de An. Os deuses guardiães da porta, Tamuz e Gizzida, espantam-se ao vê-lo usar roupas de luto. Adapa diz-lhes que está de luto pelos dois deuses do seu país, Tamuz e Gizzida, assegurando assim o apoio e a simpatia destes deuses.

Adapa explica então ao rei do Céu o que aconteceu: «Senhor, eu estava a pescar no meio do mar para a casa do meu amo [Enki]. Mas um temporal levantou-se do mar. Depois, o Vento do Sul soprou e afundou-me! Fui obrigado a ir para a casa dos peixes. Na minha fúria, amaldiçoei o Vento do Sul.» Tamuz e Gizzida, os dois guardiães do palácio dos deuses, intercedem junto de An a favor de Adapa. An ordena então que lhe sirvam pratos de aspecto delicioso. Seguindo as recomendações de Enki, Adapa recusa os alimentos oferecidos por An, que, na realidade, eram... o pão e a água da vida eterna. An diz a Adapa que, por ter seguido os conselhos de Enki, perdeu a imortalidade e que fez cair sobre toda a humanidade o luto e a doença; doravante, só a deusa da Cura, Ninkrak, poderá aliviar os sofrimentos dos homens e permitir-lhes lutarem contra algumas doenças.

Fontes: Templo de Apolo, Mythology & Culture,