A Esfinge do Enigma de Édipo

06/07/2019

Monstro feminino, com o rosto e, por vezes, seios de mulher, peito, patas e cauda de leão e dotado de asas. A Esfinge figura sobretudo no mito de Édipo e no ciclo tebano. Este monstro fora enviado por Hera, a protetora dos amores legítimos, contra Tebas, para punir a cidade do crime de Laio, que raptara Crisipo, filho de Pélops, introduzindo na Hélade a pederastia. Postada no monte Fíquion, próximo da cidade, devastava o país, devorando a quantos lhe passassem ao alcance. Normalmente propunha um só e mesmo enigma aos transeuntes, e já havia exterminado a muitos, porque ninguém ainda o decifrara.

Foi Então que surgiu Édipo e a "cruel cantora" a (Esfinge propunha o enigma cantando) lhe fez a clássica pergunta: "Qual o ser que anda de manhã com quatro patas, ao meio dia com duas e, à tarde, com três e que, contrariamente à lei geral, é mais fraco quando tem maior número de membros?". Édipo respondeu de pronto: "É o homem, porque, quando pequeno, engatinha sobre os quatro membros; quando adulto, usa as duas pernas; e, na velhice, caminha apoiado a um bastão". Vencida a Esfinge precipitou-se do alto de um rochedo e morreu.

Claude Lévi-Strauss enfocou o mito de Édipo e obviamente tentou dar, senão uma interpretação, ao menos uma definição da "cruel cantora" de Tebas. Reunindo as frases e conceitos do excepcional estudioso francês, talvez se possa chegar antropologicamente a uma definição de Esfinge: "Monstro-Fêmea ctônio, com sinal invertido, símbolo da autoctonia do homem, monstro que violava os jovens, caso não lhe decifrassem o enigma, mas que, uma vez vencido e destruído, mostra que o ser humano não nasceu apenas da fêmea, mas do concurso desta com o macho". Donde, a decifração do enigma, representa desta a vitória da patrilinhagem sobra a matrilinhagem. Na realidade, tanto o dragão quanto a Esfinge simbolizam a autoctonia do homem. Vencidos pelo homem, atestam a negação dessa autoctonia.

Para Delcourt, o ser mítico, que os gregos denominaram Esfinge, foi por eles criado com base em duas determinações superpostas: a realidade fisiológica, isto é, o pesadelo opressor e o espírito religioso, quer dizer, a crença nas almas dos mortos representadas com asas. Estas duas concepções acabaram por fundir-se, uma vez que possuíam e ainda possuem certos aspectos comuns, principalmente o caráter erótico e a ideia de que, quando se dominam os pesadelos e os fantasmas, o vencedor recebe, como dádiva dos mesmos, tesouros, talismãs e reinos.

A Esfinge é, pois, a junção de dois aspectos: pesadelo opressor e o terror infundido pelas almas dos mortos.


Fontes: templodeaplo, mitologiagrega.br, eventosmitologiagrega