5 Criaturas Assustadoras do Folclore Brasileiro

08/02/2021

1. Bradador

O Bradador é uma alma penada que vive nos campos da região centro-sul do Brasil.

Diz a lenda que o Bradador foi enterrado, mas como não havia pagado todos os seus pecados, a terra o devolveu.

Assim, a múmia, ou este espírito que habita um corpo seco, sai vagando pelos matos todas as sextas-feiras, após a meia-noite.

Testemunhas dizem que os berros parecem de uma pessoa agonizando, outras o descrevem mais como lamentos, seguidos de forte brados, daí o nome.

Para que a terra o aceite de volta, ele terá que encontrar por sete vezes uma moça de nome Maria e assim ele poderá descansar em paz. O problema é achar quem tenha coragem o suficiente para superar o medo dos terríveis gritos do Bradador.

Seguindo os mesmos passos do folclore em torno ao Bradador, na região do rio das Mortes, em São Paulo, é possível ouvir o Bicho Barulhento. Aquela região era rica em ouro e conta-se que 40 mineradores se mataram uns aos outros devido à cobiça. Desde então, durante à noite, se escutam gritos naquela zona.

Origem da Lenda do Bradador

A história do Bradador remete às histórias contadas por viajantes solitários e cansados pelo sertão do Brasil.

Com fome, frio e fadiga, o passante escutava e via desde criaturas fantásticas como a Mula sem Cabeça ao ouvir os berros do Bradador.


2. Corpo-seco

Esta história começa no século XVII com a descoberta de ouro no Brasil, em uma cidade chamada Registro, que vem a sero local onde teve início essa lenda macabra. As primeiras jazidas de ouro do Brasil foram encontradas na região do Vale do Ribeira pelos Bandeirantes, liderados por Fernão Dias. O local original do município era um centro de fiscalização desse ouro, todas as mercadorias eram revistadas e registradas por um agente de Portugal para cobrar o dízimo da Coroa Portuguesa. Periodicamente, o quinto era enviado à "Casa dos Contos" na vila, onde o ouro era fundido e cunhado. O Povoado acabou virando um porto de registro de ouro, cresceu, desenvolveu-se e passou a ser conhecido, em 1934, como Distrito de Paz de Registro, e, em 1945, oficialmente tornou-se município de Registro.

Com a "corrida do ouro" no século XVII muitos vieram tentar a sorte no Eldorado Brasileiro e entre eles veio um homem sinistro, temido por todos garimpeiros da região, seu nome era Miguel Antônio. Dizem que Miguel era um ser maquiavélico, fez fortuna e muita maldade para os que tiveram o triste desprazer de conhecê-lo. Era meticuloso, tramava contra os amigos e inimigos. Enriquecendo cada vez mais e acumulado riqueza, com o tempo Miguel Antônio comprou terras, construiu uma fazenda e fez família. Tornou-se o fazendeiro mais rico da região. Mas por causa da cobiça e a loucura pelo ouro, se afastou de todos e foi viver só entre os escravos e os empregados. A família voltou para São Paulo somente com a roupa do corpo fugindo da sua maldade, Miguel não deixou que levassem nada. E a cada dia que passava, a cada ano, ele se tornava um homem mais severo e ganancioso.

A história do Fazendeiro Miguel Antônio, se espalhou pela Região do Vale do Ribeira, Eldorado Brasileiro. Todos temiam e comentavam as barbaridades que cometia contra seus escravos e subordinados. Os escravos eram condenados à morte por qualquer falha ou suspeita do fazendeiro. Quando já estavam velhos para o trabalho pesado, Miguel, os usava para carregar o ouro até a beira do rio e no local mandava o escravo cavar uma cova onde ele próprio era enterrado vivo junto com o ouro. Foram mais de 300 escravos mortos pelo fazendeiro. Contam que uma certa vez ele afundou um barco no rio com homens, mulheres e crianças, muito ouro e sacos de areia que ele havia colocado para o barco naufragar. A ganância levou Miguel Antônio à loucura, ele não tinha mais como guardar o ouro então o escondia em suas terras e matava todos que sabiam. Talvez, esse homem tenha sido o maior serial killer do século XVII. Mas como os crimes contra escravos não era vistos como crime pela coroa portuguesa, Miguel Antônio nunca foi julgado por essas mortes em vida.

Segundo relato de Jandyra Ferreira de 91 anos, filha de Diogo Onça Ferreira, que era também fazendeiro em Registro e tinha negócios com Miguel Antônio, ela conta: "Meu pai era bem novo quando conheceu o Miguel Antônio que já estava com quase 100 anos, dizem que ele viveu até os 115 anos, por causa da cobiça ao ouro ele não morria. Meu pai dizia que ele era um homem muito ruim e temido por todos, era muito cruel com seus escravos, ele falava "Deus a criar e eu a matar", e enterrava viva as pessoas. Ele morreu de uma doença estranha que fazia o corpo queimar, a mulher dele veio de São Paulo para cuidar do enterro, mas antes do velório o corpo sumiu. Dizem que os escravos levaram o corpo e enterraram cachos de bananas no lugar. Dizem que nem o céu nem o inferno o quiseram, os escravos teriam levado o corpo e feito um ritual, de modo a permanecer preso à vida terrena, mas não mais com uma forma humana. Só que como era muito esperto, Miguel Antônio deu um jeito de se manter vivo e continuar com suas maldades. Ele vivia da energia das árvores que ele sugava e fazia de sua morada, se misturando aos galhos e com o sangue que ele sugava das pessoas na tentativa de ter seu corpo de volta. Corpo Seco tinha um grande casaco de pele dos que ele matava. Mesmo depois da morte, ele continuou causando mal às pessoas, e começaram a chamá-lo de Corpo Seco, assim contavam os mais velhos da cidade de Registro."


Versões da lenda

A lenda "Corpo Seco" e suas aparições foram contadas tantas vezes e passadas de geração em geração, que vários lugares tem o seu próprio "Corpo Seco". Há relatos de aparições nos estados do Paraná, Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Goiás, no nordeste brasileiro e em alguns países africanos de língua portuguesa. A história ganhou o mundo e foi se transformando de região para região.

Em Minas Gerais, há uma variação desta lenda, onde conta-se que o "Corpo Seco depois de ser repelido pela terra várias vezes, é levado por bombeiros à uma caverna em uma serra . Dizem que quem passa à noite pela estrada de terra que margeia a "Serra do Corpo-Seco", consegue ouvir os gritos do ser amaldiçoado ecoando de dentro da caverna.

Dizem, em Goiás, que o Corpo Seco era um menino que era completamente mau com seus pais e foi amaldiçoado vagando pela terra, sem alma, e se ao menos tocar no tronco da árvore, ela pode secar e apodrecer. À cada pessoa que passa perto dele, ele dá um abraço de morte, com suas unhas compridas esmagando a pessoa. Abraça achando que é a sua mãe. Até hoje, há o dito popular: "Quem bate na mãe fica com a mão seca".

Na África, conta-se que, quando uma pessoa passa perto do "Corpo Seco", ele pula na pessoa e suga todo o seu sangue. Se não passar ninguém perto ele pode ficar alojado no galho da árvore por anos, até que encontre a próxima vítima, porque se alimenta do sangue humano. O Corpo Seco é como um Vampiro para os Africanos.

Ninguém nunca imaginaria que as maldades cometidas pelo fazendeiro Miguel Antônio se perpetuariam em histórias e relatos de terror depois de tanto tempo e em tantos lugares e que virasse uma lenda no imaginário popular. O tempo não esqueceu a dor e o sofrimento de tantos que perderam a vida nas mãos desse homem maquiavélico, que dizem que ele ainda vive vagando pela terra assombrando e praticando suas maldades.


3. A Pisadeira

A Pisadeira é uma lenda do folclore brasileiro, muito popular no interior dos estados de Minas Gerais e São Paulo.

De acordo com esta lenda, Pisadeira é uma mulher de aparência assustadora. Ela e alta e magra, possui unhas grandes em dedos compridos e secos, olhos vermelhos e arregalados, nariz comprido para baixo e queixo grande. De baixa estatura, a Pisadeira é também descrita com cabelos brancos desgrenhados. Seu olhar transmite algo de maligno, assim como suas gargalhadas que mostram seus horríveis dentes verdes.

Como age a Pisadeira

De acordo com a lenda, a Pisadeira passa grande parte do tempo nos telhados das casas. Ela fica observando o movimento dentro das casas. Após o jantar, quando alguém vai dormir de barriga cheia ela entra em ação. Sai de seu esconderijo e pisa no peito da pessoa, deixando-a em estado de paralisia. Porém, a vítima da Pisadeira consegue acompanhar tudo de forma consciente o que traz grande desespero para a pessoa, pois nada consegue fazer para sair da situação.

Curiosidade:

- Esta lenda está relacionada com o fato de que muitas pessoas têm sono conturbado, com pesadelos, quando vão dormir após fazer uma refeição pesada.


4. Mão de Cabelo

Mão de Cabelo é uma "terrível entidade que usa uma longa roupa branca", tem a "forma de uma pessoa alta e magra" e possui "mãos feitas de mechas bem compridas de cabelos loiros ou grisalhos", que servem para "facilitar a verificação de quão seco ou molhado estão os lençóis da cama da pessoa visitada pela criatura". Personagem do folclore nacional, Mão de Cabelo vigia principalmente meninos durante o sono, deixando a mão em suas genitais para ver se eles não urinam em suas camas. Se falharem na missão, a pena é dura: a criatura simplesmente arranca o órgão sexual dos mijões. O ser, que representa uma "forma de repreensão a fazer necessidades fisiológicas fora dos lugares apropriados", é conhecido principalmente em Minas Gerais, onde, é tratado em alguns cantos como Espantalho das Crianças. 

5. Papa-figo

O Papa-Figo, também chamado de "homem do saco" ou "velho do saco", é uma lenda do folclore brasileiro.

Essa lenda urbana e popular é conhecida em todas as regiões do Brasil, sobretudo nos meios rurais. Portanto, em alguns lugares é possível que seja conhecida como "velho do saco".

Os pais costumam contar aos filhos de sua existência para assim, evitar que as crianças falem com estranhos.

História da Lenda

Reza a lenda que é necessário que o Papa-Figo coma o fígado de uma criança, e por isso recebe esse nome, que é a contração de "papa fígados". Isso porque ele acredita que sua doença será curada se ele se alimentar do sangue e do fígado de crianças.

Segundo a crença popular, o fígado era o produtor de sangue e a cura para a doença estaria no consumo de um fígado sadio.

Portanto, o fígado das crianças por ser mais puro, era o que deveria ser consumido para quem sofria dessa enfermidade.

Em algumas versões da lenda, o Papa-Figo possui ajudantes que atraem as crianças e leva as vítimas para ele. Em outras, ele mesmo atua na captura das crianças, sendo simpático com elas e lhes oferecendo doces e brinquedos.

Após comer o fígado da vítima, ele costuma deixar ao lado do corpo uma quantia em dinheiro para as despesas do funeral e ainda, para ajudar a família.

Aparência do Papa-Figo

O Papa-Figo é conhecido como um velho maltrapilho, corcunda e barbudo que costuma vagar pelas ruas da cidade com um grande saco nas costas. Sua intenção é capturar crianças desobedientes e comer seus fígados.

Embora na maior parte dos casos ele tenha uma aparência humana, em algumas versões, ele possui unhas e orelhas imensas e ainda, dentes de vampiro. A verdade é que ele sofre de uma doença rara e daí sua aparência ser assustadora.

Segundo o antropólogo Luís da Câmara Cascudo em Geografia dos Mitos Brasileiros (1947):

"O papa-figo é como o lobisomem da cidade, que não muda de forma, sendo alto e magro. Diz-se que é um velho negro, sujo, vestido de farrapos, com um saco ou sem ele, ocupando-se em raptar crianças para comer-lhes o fígado ou vendê-lo aos leprosos ricos. Em outras regiões é muito pálido, esquálido, com barba sempre por fazer. Saí à noite, às tardes ou ao crepúsculo. Aproveita para as saídas das escolas, os jardins onde as amas se distraem com os namorados, os parques assombrados. Atrai as crianças com disfarces ou mostrando brinquedos, dando falsos recados ou prometendo levá-las para um local onde há muita coisa bonita"